Odiado por ser cristão

É sintomático que os mesmos que defendem a “cristandade ocidental” e a “tradição” tenham repudiado um homem que viveu o que pregou: simplicidade, misericórdia e diálogo.

A morte do Papa Francisco não apenas encerrou um capítulo marcante da Igreja Católica, mas também expôs uma contradição cruel: aqueles que mais se dizem defensores do cristianismo foram os primeiros a cuspir veneno sobre seu legado. Enquanto ateus, muçulmanos, judeus e até mesmo protestantes liberais renderam homenagens ao pontífice, uma parcela ruidosa da direita cristã aproveitou para atacar o homem que, ironicamente, foi um dos maiores exemplos contemporâneos do que significa seguir os ensinamentos de Jesus.

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A morte do Papa Francisco revelou uma contradição chocante: enquanto muitos o celebravam, seus maiores críticos foram justamente os que dizem “defender o cristianismo”. Ele não era perfeito, mas viveu o que pregou: compaixão, justiça e amor ao próximo. Será que o problema não é quando a fé vira só discurso… e não prática? 📌 Este é um #PrecisamosFalarSobre do Portal Cubo. Se Cristo voltasse hoje, será que O chamariam de “esquerdista”? O legado de Francisco nos faz refletir: cristianismo é sobre poder… ou sobre amar como Ele amou? 👉 O que você acha? Comenta aqui!

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Francisco não era um líder perfeito — nenhum humano é. Mas sua insistência em falar sobre compaixão pelos pobres, justiça social, acolhimento aos imigrantes e críticas ao capitalismo selvagem o colocou na mira daqueles que transformaram a fé em um instrumento de ódio e exclusão. Para esses supostos “defensores da moral cristã”, o Papa era “esquerdista demais”, “político demais”, como se cuidar dos marginalizados fosse uma agenda partidária e não um mandamento bíblico.

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É sintomático que os mesmos que defendem a “cristandade ocidental” e a “tradição” tenham repudiado um homem que viveu o que pregou: simplicidade, misericórdia e diálogo. Enquanto líderes evangélicos e conservadores abraçam figuras autoritárias, acumulam riquezas e pregam a intolerância, Francisco lavou os pés de refugiados, denunciou a desigualdade e lembrou que “Deus não é um juiz cruel, mas um Pai amoroso”.

A hipocrisia chega a ser trágica. Muitos dos que hoje atacam o Papa são os mesmos que defendem que religião deve ditar políticas de Estado — mas só quando essas políticas servem a seus interesses. Quando um líder religioso fala em redistribuição de renda, direitos humanos ou proteção ao meio ambiente, aí a religião “não deve se meter em política”. A seletividade revela o que realmente move esses setores: não é a fé, mas o poder.

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O ódio a Francisco não é um acidente. É o reflexo de um cristianismo que, em muitos espaços, deixou de ser sobre amor ao próximo para se tornar um clube de exclusão, um braço ideológico da extrema direita. Se Cristo voltasse hoje, seria chamado de “comunista” pelos mesmos que usam seu nome para perseguir minorias e justificar a ganância.

O legado do Papa Francisco permanece: um lembrete de que o evangelho não é propriedade de um partido ou uma bandeira ideológica, mas um chamado à solidariedade radical. Resta saber se os que se dizem cristãos terão coragem de ouvir.

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