PSDB e Podemos devem anunciar fusão até o fim de abril, diz Marconi Perillo

Marconi Perillo, presidente nacional do PSDB, evitou cravar datas, mas a informação circula

A notícia de que o PSDB deve anunciar sua fusão com o Podemos até o fim de abril é mais um capítulo da longa crise que consome o partido tucano há mais de uma década. O que poderia ser visto como uma estratégia de renovação parece, na verdade, um ato de desespero de uma sigla que perdeu não apenas espaço político, mas também identidade e projeto para o país.

Marconi Perillo, presidente nacional do PSDB, evitou cravar datas, mas a informação circula: o anúncio deve acontecer no próximo dia 29. Juntos, PSDB e Podemos somam 25 deputados federais e sete senadores, números que, ainda que modestos, poderiam dar algum fôlego aos tucanos. Mas a pergunta que fica é: fusão com qual propósito?

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O PSDB, que já foi protagonista na política brasileira, hoje sobrevive com apenas dois governadores (Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul) e uma bancada federal reduzida. Em 2022, o partido atingiu seu pior resultado histórico: não disputou a Presidência, perdeu São Paulo, não elegeu senadores e viu sua bancada na Câmara cair pela metade.

A tentativa frustrada de federação com o Cidadania em 2022 apenas escancarou a falta de projeto comum. Como admitiu o próprio presidente do Cidadania, Comte Bittencourt, o PSDB agiu com mesquinharia política, recusando-se a construir uma agenda compartilhada. Agora, a aposta no Podemos — partido sem expressão programática clara — parece mais uma jogada tática do que uma reconstrução ideológica.

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O que essa movimentação revela é a profunda crise da direita brasileira, fragmentada e sem rumo após a derrocada do bolsonarismo. O PSDB, que um dia se apresentou como alternativa “moderna” e “social-democrata”, hoje navega sem bússola, tentando sobreviver em um cenário onde a polarização entre Lula e Bolsonaro deixou pouco espaço para um terceiro caminho.

A fusão com o Podemos pode até garantir alguns minutos a mais no horário eleitoral e mais acesso a fundos partidários, mas dificilmente resgatará a relevância do PSDB. Enquanto isso, a esquerda — apesar de suas próprias contradições — segue organizada em torno de um projeto nacional, com pautas claras como a retomada de políticas sociais, a defesa dos direitos trabalhistas e a luta contra a desigualdade.

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Se o PSDB quer mesmo se reinventar, precisará de mais do que manobras de bastidor. Precisa resgatar um projeto que dialogue com os anseios populares, algo que, hoje, está muito mais presente no campo progressista do que nessa direita sem rumo. Caso contrário, a fusão com o Podemos será apenas mais um passo em direção ao ostracismo definitivo.

Enquanto a esquerda avança na reconstrução do país, a direita se contenta em rearranjar cadeiras no convés de um navio que já faz água por todos os lados. O Brasil merece mais do que isso.

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