O atropelamento covarde de dois militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nesta terça-feira (15), no Recife, não foi um mero acidente de trânsito. Foi um ato de violência política, mais um capítulo na longa história de repressão e criminalização enfrentada por quem ousa lutar por reforma agrária e direitos básicos no Brasil.
✅ Seja o primeiro a ter a notícia. Clique aqui para seguir o novo canal do Cubo no WhatsApp
Gideone Sinfrônio de Menezes Filho, 67 anos, um homem que dedicou sua vida à resistência camponesa, está em coma após ser brutalmente atropelado por um motorista que, após passar por cima de seu corpo, fugiu pela contramão sem prestar socorro. O outro militante atingido, Samuel Scarponi, dirigente estadual do MST, relata com indignação: o condutor acelerou deliberadamente contra os manifestantes, como quem quer não apenas ferir, mas matar.
Não há como dissociar esse crime da escalada de ódio contra movimentos sociais, alimentada por setores da elite agrária, pelo discurso reacionário de parte da mídia e pela leniência do Estado. O MST, que há décadas luta por um país mais justo, segue sendo tratado como inimigo por aqueles que se benefiam da concentração de terras e da desigualdade.
É revoltante que, mesmo com autorização da CTTU e acompanhamento policial, trabalhadores rurais sejam alvo de ataques tão brutais. Enquanto latifundiários violam leis ambientais e trabalhistas impunemente, sem-terra são criminalizados por ocupar terras improdutivas ou por marchar pacificamente nas ruas. A seletividade da violência no Brasil não deixa dúvidas: ela serve aos interesses do poder econômico.
O governo federal, que se propõe progressista, não pode se omitir. É urgente que haja uma investigação rigorosa, com punição exemplar ao agressor, e que políticas efetivas de reforma agrária sejam aceleradas. A luta do MST não é por privilégios, mas pelo direito elementar à terra, à comida e à dignidade.
Enquanto Gideone luta pela vida no Hospital da Restauração, sua resistência simboliza a dos milhões de brasileiros excluídos. A sociedade não pode se calar. Defender o MST é defender um projeto de país onde a terra não seja um instrumento de opressão, mas de libertação.
Leia outras notícias em cubo.jor.br. Siga o Cubo no BlueSky, Instagram e Threads, também curta nossa página no Facebook e se inscreva em nossos canais, do Telegram e do Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso e-mail.


Deixe um comentário