Cinco anos após o crime que matou 272 pessoas em Brumadinho (MG), a Vale continua falhando em suas obrigações com as vítimas. A empresa tentou reduzir pela metade os valores do Programa de Transferência de Renda (PTR), mas foi barrada pela Justiça. A decisão revela o abismo entre os lucros bilionários da mineradora e o descaso com quem ainda sofre as consequências do rompimento da barragem do Córrego do Feijão.
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A estratégia da Vale: lucros máximos, reparações mínimas
Enquanto comemorava um lucro líquido de R$ 22,5 bilhões em 2023 – o equivalente a R$ 61 milhões por dia – a Vale pressionava para reduzir os repasses do PTR. A proposta era cortar de R$ 1.518 para R$ 759 o benefício dos atingidos diretos e de R$ 759 para R$ 379,50 para os indiretamente afetados.
Os números mostram a disparidade:
- O custo anual do PTR com valores integrais representa menos de 0,5% do lucro anual da Vale
- A empresa gastou R$ 4,8 bilhões em dividendos para acionistas no último ano – valor superior aos R$ 4,4 bilhões destinados a todo o programa de reparações
- Enquanto isso, apenas 40% das ações de reparação socioambiental previstas no acordo foram implementadas
O duplo discurso corporativo
Em nota, a Vale afirmou que “cumpriu suas obrigações” ao repassar R$ 4,4 bilhões em 2021. No entanto:
- O valor foi depositado em um fundo administrado pela FGV, sem controle direto das vítimas
- A mineradora segue explorando minério na região enquanto as comunidades aguardam reparações completas
- Diversas barragens da empresa ainda não possuem planos de segurança aprovados
A resistência das vítimas
A decisão judicial que manteve os valores do PTR só foi possível graças à organização dos atingidos. “A Vale age como se cinco anos fossem suficientes para superar um crime que destruiu vidas, rios e o futuro de gerações”, denuncia Carlos Bohrer, da Associação dos Atingidos.
Enquanto isso, a mineradora:
- Continua operando 25 barragens a montante em Minas Gerais
- Mantém pendentes 60% das indenizações individuais
- Não reconstruiu sequer metade das moradias destruídas
O que a lei diz (e o que a Vale ignora)
A Lei Federal 14.755/2023 estabelece que o auxílio deve continuar até que as vítimas recuperem suas condições de vida anteriores ao desastre. No entanto:
- O rio Paraopeba continua impróprio para pesca e consumo
- 63% das famílias desalojadas não retornaram a moradias definitivas
- Projetos de geração de renda prometidos não saíram do papel
Box: Vale no mundo
Enquanto tenta reduzir benefícios no Brasil:
- No Canadá, a empresa foi multada em R$ 350 milhões por falhas ambientais
- Em Moçambique, enfrenta processos por reassentamentos inadequados
- Na Indonésia, foi obrigada a indenizar comunidades pesqueiras
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