O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (2) a imposição de tarifas de 10% sobre as exportações brasileiras, medida que integra um pacote protecionista batizado pelo presidente Donald Trump de “Dia da Libertação”. A sobretaxa, que entra em vigor à meia-noite desta quinta-feira (3), visa, segundo o republicano, reduzir a “dependência” norte-americana de importações e frear a “exploração” por parte de outras economias. O Brasil, que exportou US$ 40 bilhões aos EUA em 2024 — 60% em manufaturados como aço, petróleo e peças aeronáuticas —, está entre os 22 países e blocos afetados, com taxas que variam de 10% (Reino Unido, Chile) a 46% (Vietnã).
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Em resposta, a Câmara dos Deputados aprovou em regime de urgência, horas antes do anúncio de Trump, o Projeto de Lei de Reciprocidade Econômica, que autoriza o governo federal a retaliar com medidas equivalentes. A proposta, aprovada por 361 votos a 10 (todos do PL), teve discursos raros de união entre governo e oposição. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o Brasil “não aceitará passivamente ações que prejudiquem a economia”. Já o líder do PT, José Guimarães, destacou a “defesa contra cenários hostis”. A deputada Adriana Ventura (NOVO-SP), porém, alertou para os riscos de uma “escalada protecionista”.


Guerra comercial em expansão
A medida norte-americana intensifica tensões globais: China (34%), União Europeia (20%) e até aliados como Japão (24%) e Reino Unido (10%) foram incluídos na lista. Trump justificou as tarifas como “gentileza” para “tornar os EUA grandes novamente” e criticou governos anteriores, especialmente o de Joe Biden, por “permitirem abusos”. A ministra Simone Tebet (Planejamento) previu impactos inflacionários e no emprego: “Isso pode afetar a economia mundial”, disse.
Setor produtivo em alerta
A CNI já articula uma missão empresarial aos EUA para buscar alternativas, enquanto analistas temem redução na competitividade de produtos brasileiros. Para o economista [Fulano de Tal, da Universidade X], “a medida reflete a crise do multilateralismo e exige diversificação de mercados”.
Box: Os números do impacto
- US$ 40 bi: Valor das exportações brasileiras aos EUA em 2024
- 10%: Tarifa sobre o Brasil (a menor, ao lado de Chile e Austrália)
- 46%: Taxa mais alta, aplicada ao Vietnã
- 361 x 10: Votos pela urgência do PL de Reciprocidade
Contexto histórico
Esta é a maior rodada de tarifas desde as imposições de Trump em 2018, que levaram a retaliações da China e da UE. Desta vez, a medida surge em meio a campanha eleitoral nos EUA, onde o republicano promete “reindustrialização”.
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