Uma falsa narrativa sobre a série Adolescência, da Netflix, tem circulado em veículos de comunicação e redes sociais, acusando a produção de ter “embranquecido” um criminoso real ao transformá-lo em um adolescente branco conservador. A polêmica ganhou força após a Revista Oeste publicar uma reportagem afirmando que a série teria se inspirado no caso de Hassan Sentamu, jovem negro condenado pelo assassinato de Elianne Andam, de 15 anos, em Londres.
No entanto, os criadores da série negam qualquer ligação direta com o crime. Em entrevista à Radio Times, Stephen Graham, co-criador e ator da produção, explicou que Adolescência foi baseada em diversos casos reais de violência juvenil no Reino Unido, e não em um episódio específico. A trama acompanha Jamie Miller, um adolescente branco de classe média que mata uma colega após uma discussão nas redes sociais.
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Inspiração em múltiplos casos
Graham citou dois crimes que influenciaram a série: o assassinato de Ava White, menina de 11 anos morta por um adolescente branco de 14 anos em Liverpool, e o de Elianne Andam, esfaqueada por Hassan Sentamu em 2023. Apesar disso, a Netflix esclarece que a obra não reproduz fielmente nenhum dos casos, mas busca discutir temas como violência juvenil, influência das redes sociais e falhas no sistema educacional.
A alegação de que a série teria “embranquecido” Sentamu foi rebatida por críticos, que apontam o desconforto racial por trás da acusação. Enquanto alguns questionam a escolha de um protagonista branco, outros destacam que a violência juvenil não está restrita a um único perfil racial ou social.
Repercussão e desmentido
A polêmica ganhou proporções maiores após postagens nas redes sociais distorcerem as declarações da produção. A Netflix não se manifestou oficialmente, mas fontes próximas ao projeto afirmam que a intenção nunca foi recontar o caso de Sentamu, e sim provocar uma reflexão sobre a crescente violência entre jovens.
Especialistas em mídia alertam para os riscos da desinformação, já que a narrativa falsa pode desviar o foco do debate proposto pela série: as causas estruturais da violência e o papel da sociedade na prevenção. Enquanto isso, a discussão segue acalorada, dividindo opiniões entre quem vê um problema racial na representação e quem defende a liberdade criativa da ficção.
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