Redução de impostos sobre alimentos expõe hipocrisia da direita: quem se importa de fato com o bolso do povo?

A narrativa da direita, que historicamente se apresenta como defensora do “livre mercado” e da “redução da carga tributária”, parece vacilar quando a iniciativa parte de um governo

A recente decisão do Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) de zerar o Imposto de Importação para uma série de alimentos, incluindo carnes bovinas, café, milho e massas alimentícias, reacendeu um debate que, no Brasil, parece nunca ter fim: a questão dos impostos. Curiosamente, os mesmos setores que há anos clamam por redução de tributos agora criticam a medida, expondo uma contradição que merece reflexão.

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A narrativa da direita, que historicamente se apresenta como defensora do “livre mercado” e da “redução da carga tributária”, parece vacilar quando a iniciativa parte de um governo que não se alinha aos seus interesses. A alegação de que a medida beneficiaria apenas “grã-finos” é, no mínimo, curiosa. Produtos como carne bovina, café, milho e massas alimentícias estão longe de ser exclusividade das elites. Pelo contrário, fazem parte da dieta básica de milhões de brasileiros, especialmente das classes trabalhadoras, que são as mais afetadas pela inflação e pelo aumento dos preços dos alimentos.

A redução do imposto de importação é uma estratégia legítima para conter a alta dos preços e aliviar o bolso do consumidor. No entanto, é importante questionar por que essa medida é alvo de críticas tão ferrenhas. Será que o problema, para alguns, não é a redução de impostos em si, mas sim quem a está promovendo? A seletividade no discurso revela uma hipocrisia que não pode passar despercebida.

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Vale lembrar que, durante os governos anteriores, a mesma direita que hoje critica a medida defendia abertamente a redução de impostos como solução para todos os males da economia. Agora, quando o governo atual adota uma política semelhante, a reação é de desconfiança e oposição. Isso nos leva a questionar: o que está por trás dessa mudança de postura? Será que o verdadeiro interesse não é o bem-estar da população, mas sim a manutenção de um discurso político conveniente?

É inegável que a medida tem limitações. A isenção não se aplica a carnes de porco e aves, por exemplo, e a logística de importação ainda pode ser um obstáculo para que os preços caiam significativamente. Além disso, a dependência de importações pode trazer riscos para a produção nacional, especialmente para pequenos e médios produtores, que já enfrentam dificuldades para competir com grandes conglomerados. Portanto, é fundamental que o governo complemente essa política com investimentos em infraestrutura, apoio à agricultura familiar e estímulos à industrialização nacional.

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No entanto, é preciso reconhecer que a iniciativa é um passo importante para enfrentar a inflação e garantir o acesso a alimentos básicos. Em um país onde milhões de pessoas passam fome, qualquer medida que vise reduzir o custo de vida deve ser avaliada com seriedade, e não com o viés ideológico que tem dominado o debate público.

Enquanto isso, assistimos a cenas pitorescas, como deputados cobrando governadores para “fazer o mesmo”. A pergunta que fica é: por que não fizeram antes? Por que não aproveitaram sua influência política para defender reduções de impostos que beneficiassem diretamente a população, em vez de priorizar interesses corporativos?

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A redução de impostos sobre alimentos essenciais é uma medida que deve ser celebrada, mas também acompanhada de perto. É preciso garantir que os benefícios cheguem de fato aos consumidores e que a política não se torne um mero paliativo. Ao mesmo tempo, é fundamental expor a hipocrisia daqueles que criticam a medida por puro oportunismo político. O debate econômico no Brasil precisa ser menos ideológico e mais focado no bem-estar da população. Afinal, são os trabalhadores e as trabalhadoras que pagam a conta, seja com impostos altos, seja com a falta de políticas públicas eficazes.

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