Visitas domiciliares e atenção primária são cruciais para controle de tuberculose no Rio, mostra estudo

Doença é transmitida em casa, e detecção precoce é fundamental

Os cuidados de atenção primária e as visitas domiciliares de profissionais de saúde aos pacientes são as principais estratégias para tratar e interromper a transmissão de tuberculose na cidade do Rio de Janeiro, mostra um estudo publicado nesta quarta-feira (12) no periódico científico Cadernos de Saúde Pública. O artigo é parte do trabalho de doutorado em epidemiologia da médica de família e comunidade Fernanda Lopes, na Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP-Fiocruz).

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Foram analisados dados de casos de tuberculose no município do Rio entre 2014, quando foram implementados os testes rápidos para detecção da doença, e 2022. Os pesquisadores buscaram identificar como a cobertura da atenção primária, as visitas domiciliares e outros fatores, como a pandemia de Covid-19, influenciaram a detecção de casos de tuberculose.

Houve associação direta entre as visitas e o detecção dos casos. “A tuberculose é uma doença de transmissão respiratória, ocorre dentro das casas, então, na visita do profissional de saúde, você detecta os casos, avalia as condições de moradia, quantas pessoas moram ali e que podem ter sido contaminadas”, explica Lopes. A presença dos profissionais, diz ela, permite uma busca ativa por casos e a prevenção da transmissão, além da oferta e controle do tratamento de forma mais eficaz.

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“A principal estratégia para conter a tuberculose é o diagnóstico rápido e iniciar o tratamento de forma precoce. Só que é um tratamento longo, de pelo menos seis meses, e incômodo, então precisa garantir aderência”, explica Yara Hahr, pesquisadora da Fiocruz, médica epidemiologista e orientadora de Lopes. “A tecnologia dos testes rápidos ajuda muito, mas sozinha não faz milagre, o serviço tem que chegar às pessoas, ser acessível e a atenção primária e as visitas possibilitam isso.”

Para as pesquisadoras, o estudo demonstra como é preciso manter e ampliar os serviços oferecidos pelo SUS para prevenção, detecção e tratamento por meio da atenção primária, especialmente no Rio, onde há 96 casos a cada 100 mil habitantes. “É a terceira capital com a maior incidência no Brasil, fica atrás de Manaus e Recife, então todo médico que trabalha no Rio precisa considerar que a presença de tosse por duas semanas pode ser tuberculose”diz Yara Hahr. 

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A base de dados utilizada para coletar números de casos de tuberculose foi a do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (Sinan). Já os dados de cobertura de atenção básica foram coletados nos Paineis de Indicadores da Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde.

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