O município de Buriticupu, localizado no interior do Maranhão, enfrenta uma crise ambiental e urbana de proporções alarmantes devido ao avanço de voçorocas, grandes crateras formadas pela erosão do solo. Nesta quinta-feira (20), a Defesa Civil Nacional reconheceu a situação de emergência na cidade, o que permite ao município solicitar recursos federais para ações de assistência à população e contenção dos danos.
As voçorocas, fenômenos geológicos que se formam a partir da combinação de erosão, chuvas intensas e a falta de vegetação protetora no solo, assolam Buriticupu há mais de três décadas. Algumas das crateras atingem até 70 metros de profundidade e 500 metros de extensão, engolindo casas, ruas e ameaçando a infraestrutura urbana. Pelo menos 50 residências já foram destruídas, e estima-se que cinco pessoas tenham perdido a vida em decorrência dos acidentes causados pelo fenômeno.
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O reconhecimento da emergência foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) e abre caminho para o envio de recursos destinados à compra de cestas básicas, água mineral, kits de higiene e limpeza, além de refeições para trabalhadores e voluntários envolvidos nas ações de socorro. O Maranhão já possui 19 reconhecimentos de emergência vigentes, a maioria relacionados a estiagens, mas Buriticupu se destaca pelo grave problema das voçorocas.
Estado de calamidade pública
No dia 11 de outubro, a Prefeitura de Buriticupu decretou estado de calamidade pública, medida que tem validade de 180 dias e permite a adoção de ações emergenciais, como a evacuação de áreas de risco e a utilização de propriedades particulares para garantir a segurança dos moradores. O decreto também prevê indenizações a proprietários em caso de danos causados pelas medidas de proteção.
O fenômeno não apenas destrói casas, mas também compromete a estrutura de vias públicas e outras construções, colocando em risco a vida de centenas de famílias. A situação exige intervenções urgentes para conter o avanço das crateras e realocar moradores das áreas mais afetadas.
Um problema antigo e crescente
As voçorocas em Buriticupu são resultado de um processo contínuo de degradação ambiental, agravado pela falta de vegetação e pelo solo exposto às intempéries. Apesar de o fenômeno ser conhecido há décadas, as ações para mitigar seus efeitos têm sido insuficientes. Agora, com o reconhecimento federal, espera-se que os recursos possam ser direcionados para medidas mais efetivas de contenção e assistência à população.
Enquanto isso, os moradores vivem em constante alerta, temendo que novas crateras se abram e tragam mais destruição. A situação de Buriticupu serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção de desastres ambientais e à proteção de comunidades vulneráveis a fenômenos como as voçorocas.
A Defesa Civil e a Prefeitura de Buriticupu seguem monitorando as áreas de risco e trabalhando para minimizar os impactos do fenômeno, mas a solução definitiva ainda depende de um esforço conjunto entre governos e sociedade para enfrentar as causas estruturais do problema.
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