O empresário Eduardo DP, alvo de duas prisões desde 2023 por suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção ligados a emendas parlamentares, agora mira a política institucional por meio de sua família. Sua esposa, Larissa DP, já teve a pré-candidatura à Câmara dos Deputados oficializada no fim de 2023, enquanto o irmão, Rômulo César Barros Costa, também é cotado para disputar uma vaga no Legislativo federal em 2026.
A estratégia de Eduardo DP ganhou visibilidade no último fim de semana, durante o tradicional “Bloquinho do DP”, evento de carnaval organizado pelo empresário. A pré-candidatura de Larissa foi celebrada publicamente, enquanto a possível entrada de Rômulo na disputa ainda é tratada nos bastidores. A família DP tem histórico na política maranhense: a mãe de Eduardo, Maria Arlene Barros, foi prefeita de Dom Pedro (MA) entre 2009 e 2012.
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As investigações da Polícia Federal (PF), no entanto, lançam uma sombra sobre os planos políticos da família. Eduardo DP foi preso em duas operações: a primeira, em julho de 2022, na Operação Odoacro, que investigou desvios de recursos da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf). Na ocasião, ele foi detido com R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo e acusado de liderar um esquema de fraude em licitações. A segunda prisão ocorreu em setembro de 2023, na Operação Benesse, que mirava supostos desvios de verbas públicas em Vitorino Freire (MA), cidade administrada pela irmã do ministro das Comunicações, Juscelino Filho.
Além das prisões, a PF identificou um pagamento de R$ 5 mil feito por Eduardo DP, via Pix, para Cristiane Leal Sampaio, atual secretária nacional de políticas de turismo. O valor teria sido repassado a pedido de João Batista de Magalhães, apontado como “corretor de emendas” para prefeituras do interior. A investigação também apurou supostas cobranças de comissões em emendas parlamentares destinadas à saúde em São José de Ribamar (MA), envolvendo deputados do PL.
Candidaturas em meio a denúncias
Apesar das acusações, a família DP segue avançando nos planos políticos. Larissa DP, que ainda não definiu partido, já é tratada como pré-candidata a deputada federal pelo Maranhão. Já Rômulo César Barros Costa, irmão de Eduardo, pode concorrer pelo Tocantins. A estratégia, segundo analistas políticos, é aproveitar a influência regional da família para garantir espaço no Congresso.
Eduardo DP, no entanto, enfrenta uma série de denúncias que vão além das prisões. O Ministério Público Federal (MPF) aponta que ele é sócio oculto da empreiteira Construnorte e atuava como “agiota”, financiando campanhas políticas no Maranhão. Além disso, o empresário é acusado de possuir documentos falsos, incluindo três CPFs, duas identidades e dois títulos de eleitor.
A Construservice, empresa ligada a Eduardo DP, também está no centro das investigações. Registrada em nome de familiares, a empresa multiplicou os valores recebidos em obras custeadas por emendas parlamentares. O celular de Eduardo é o cadastrado para movimentar as contas da empresa, segundo o MPF.
Silêncio e estratégia
Procurado pelo Estadão nesta segunda-feira (10), Eduardo DP visualizou as mensagens, mas não respondeu. Em manifestações anteriores, ele negou qualquer irregularidade envolvendo emendas parlamentares. Enquanto isso, a família segue mobilizando apoio para as candidaturas de Larissa e Rômulo, em uma tentativa de consolidar seu espaço na política nacional.
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