A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (17), a operação Cativeiro Ilegal para combater a exploração econômica de indígenas no Maranhão. Dez mandados de busca e apreensão foram cumpridos na Terra Indígena Lagoa Comprida, localizada no município de Jenipapo dos Vieiras, a 438 km de São Luís.
As investigações tiveram início após uma denúncia anônima que revelou um esquema de retenção indevida de cartões de benefícios sociais e previdenciários pertencentes a indígenas. De acordo com a PF, comerciantes da região usavam os cartões como garantia para o pagamento de dívidas resultantes da venda de mercadorias com preços abusivos e empréstimos com juros elevados. Além disso, empréstimos teriam sido feitos em nome dos indígenas junto a instituições financeiras.
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Durante as diligências, os agentes encontraram cartões bancários pertencentes aos indígenas em posse de um dos investigados. Os cartões foram apreendidos e devolvidos aos titulares, com o apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai). Também foram localizados outros cartões de benefícios, documentos de identidade, armas de fogo e munições.
Duas pessoas foram presas em flagrante por posse ilegal de armas. Os mandados de busca e apreensão foram autorizados pela 2ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Maranhão.
Os materiais apreendidos serão analisados para apurar se os investigados cometeram crimes como apropriação indébita, extorsão e retenção de cartões magnéticos vinculados a benefícios sociais. Caso as vítimas sejam indígenas idosas, as ações podem configurar crime previsto no Estatuto do Idoso.
Cativeiro invisível
O nome da operação, Cativeiro Ilegal, faz referência à exploração opressiva e sutil enfrentada pelos indígenas, que acabam presos em um ciclo de dívidas e manipulação econômica. A retenção de cartões e a imposição de preços elevados perpetuam a dependência e a vulnerabilidade dessas comunidades, criando uma espécie de “cativeiro invisível”.
A Polícia Federal segue com as investigações para identificar todos os envolvidos no esquema e responsabilizá-los criminalmente.
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