As ruas do Centro Histórico de São Luís se transformaram, na tarde deste sábado (7), em um grande corredor de fé e tradição. O cortejo Banho de Axé, que começou por volta das 16h na Avenida Pedro II, levou à Avenida Beira-Mar o colorido, os cantos e os ritmos sagrados dos povos de terreiro do Maranhão. A previsão da organização era reunir cerca de 1.200 pessoas, incluindo fiéis de 102 terreiros e 28 grupos de capoeira.
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O trajeto, percorrido ao som de atabaques e rezas, seguiu pelo Beco da Sé e pela Rua do Egito, com destino final na Praça Nauro Machado, onde o cantor Fernando de Iemanjá fez uma apresentação musical para encerrar o evento. A concentração inicial foi marcada pela presença de diversas lideranças religiosas vestidas com trajes típicos, carregando insígnias e instrumentos sagrados.
A organização do cortejo contou com a participação de entidades como a Federação de Umbanda e Culto Afro do Maranhão, a Rede Nacional de Religiões Afro-brasileiras e Saúde, o Fórum Estadual de Religiões de Matriz Africana do estado, o movimento Mulheres de Axé do Brasil e o Conselho Estadual de Cultura.
O evento nasceu em 2016, a partir de uma política pública da Secretaria de Estado da Cultura (Secma) voltada para a valorização, a visibilidade e o respeito aos povos tradicionais de terreiro. Segundo Neto de Azile, gestor da Casa do Tambor de Crioula e um dos organizadores, o cortejo é mais do que uma caminhada. Ele a descreve como uma distribuição de Axé, energia vital, por meio de elementos ritualísticos, banhos de ervas e outros simbolismos, com o objetivo de atrair energias positivas para o início do período festivo.
Para muitos participantes, o Banho de Axé representa um ato de resistência e afirmação cultural em um espaço público, promovendo o diálogo entre a sociedade e as religiões de matriz africana. O evento consolida-se como uma das principais celebrações do gênero no estado, destacando a força e a diversidade dessas tradições no Maranhão.


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