O Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), divulgado nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou um cenário de crescimento do setor empresarial formal em 2023. O país contabilizou 10 milhões de empresas e organizações ativas, um aumento de 6,3% em relação a 2022. Essas entidades foram responsáveis pela ocupação de 66 milhões de pessoas até 31 de dezembro de 2023, uma alta de 5,1% no número total de ocupados.
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Apesar do predomínio de microempreendedores (70,2% das empresas não tinham funcionários assalariados), as empresas com carteira assinada (29,8% do total) concentraram a maior parte da mão de obra, empregando 52,6 milhões de pessoas, ou 79,8% do total de ocupados. Os demais 13,3 milhões eram sócios ou proprietários.
Massa salarial e renda
O valor total pago em salários e outras remunerações atingiu R$ 2,6 trilhões, um crescimento de 7,5% em termos reais na comparação com 2022. Esse incremento foi impulsionado por um aumento real de 2% no salário médio, que passou de R$ 3.673,50 para R$ 3.745,45 – o equivalente a 2,8 salários mínimos.
Desigualdades persistentes
A pesquisa evidenciou disparidades salariais significativas. A diferença de renda entre homens e mulheres diminuiu levemente, mas seguiu relevante: os homens receberam, em média, R$ 3.993,26, valor 15,8% superior ao das mulheres (R$ 3.449,00). Em 2022, essa diferença era de 17%.
A escolaridade mostrou-se um divisor ainda mais acentuado. Os 23,6% de trabalhadores com nível superior receberam, em média, R$ 7.489,16, valor quase três vezes maior que a média daqueles sem diploma, de R$ 2.587,52. Cerca de 76,4% da força de trabalho assalariada não possuía ensino superior.
Setores e regiões
O comércio e a reparação de veículos manteve-se como a atividade com o maior número de empresas (28,3%) e a que mais emprega (20,5% do pessoal ocupado total). No entanto, a administração pública foi a que concentrou a maior massa salarial (23,2% do total), pagando em média R$ 5.282,98.
Os setores que pagaram os maiores salários médios foram Eletricidade e gás (R$ 8.680,85) e Atividades financeiras (R$ 8.169,84). Na ponta oposta, Alojamento e alimentação teve a menor remuneração média (R$ 1.920,71).
Regionalmente, o Sudeste concentrou a maior parte das unidades locais (51,4%) e do pessoal ocupado (49,2%). O Distrito Federal registrou o maior salário médio do país, equivalente a 4,5 salários mínimos, enquanto Alagoas teve o menor, 2,0 salários mínimos.
Porte das empresas
As grandes empresas, embora representem apenas 0,2% do total, foram as que mais pagaram em salários, respondendo por 69,1% da massa salarial total. Elas pagaram, em média, R$ 4.748,78, mais que o dobro do valor pago pelas menores empresas, com até 9 pessoas (R$ 1.946,77).
O IBGE ressaltou que os dados de 2023 só são diretamente comparáveis com os de 2022, devido a uma quebra na série histórica causada por mudanças metodológicas.


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