Câmara de São Luís debate criação de hospital para câncer infantil

Vereadores se sensibilizam com dados que mostram defasagem no atendimento oncológico pediátrico no estado

Um painel realizado na Câmara Municipal de São Luís na manhã desta quarta-feira, 8, colocou em evidência a defasagem no tratamento do câncer infantojuvenil no Maranhão. Proposto pelo vereador Cléber Verde Filho (MDB), o debate reuniu gestores e médicos para discutir a construção do Hospital Oncológico da Criança, um projeto que depende de recursos para sair do papel.

Dados apresentados pelo Dr. Francisco Marques, diretor clínico do Hospital Aldenora Bello, ilustraram a dimensão do problema. Em uma comparação com Belém, cidade com perfil populacional e econômico similar, a capital maranhense aparece em desvantagem crítica. Enquanto Belém dispõe de 89 leitos oncopediátricos, São Luís conta com apenas 23. A diferença se repete no número de consultas: 219 mensais contra 800 na capital paraense. As sessões de quimioterapia também são menos de um terço: 94 contra 284.

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O oncopediatra César Casagrande lembrou que o câncer é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes, mas enfatizou que o diagnóstico precoce pode reverter esse quadro com altas taxas de cura. Ele citou, no entanto, os problemas diários que limitam um atendimento de qualidade no estado.

Do ponto de vista orçamentário, Antônio Dino, vice-presidente da Fundação Antônio Jorge Dino, apresentou uma solução potencial. Segundo ele, o Hospital Aldenora Bello já tem uma estrutura física que pode abrigar o futuro Hospital Oncológico da Criança. A requalificação do espaço demandaria um investimento inicial de 20 milhões de reais.

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A justificativa para o investimento foi embasada em números. A projeção é de 280 novos casos anuais de câncer infantojuvenil no estado entre 2023 e 2025. Com a capacidade atual do Centro de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), o único habilitado para esse tratamento desde 2017, apenas 125 novos casos podem ser atendidos por ano. O projeto propõe ampliar a oferta de leitos de 28 para 61, incluindo 10 de UTI e 1 de isolamento.

A apresentação sensibilizou os parlamentares presentes no Plenário Simão Estácio da Silveira. Vereadores como Marquinhos (União Brasil) e Astro de Ogum (PCdoB) sinalizaram a intenção de destinar suas emendas de saúde para o projeto. O autor do painel, Cléber Verde Filho, anunciou que direcionará a totalidade de seus recursos para a causa, na esperança de viabilizar a construção do hospital.

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