Senador Ciro Nogueira é citado em relato de piloto que transportava suspeitos do PCC

Depoimento à PF detalha transporte de sacola suspeita para Brasília em aeronave ligada a investigados por lavagem de dinheiro do PCC

Um piloto de aeronaves prestou depoimento à Polícia Federal no último dia 30 de agosto e afirmou ter transportado uma sacola de papelão que aparentava conter dinheiro vivo no mesmo dia em que um passageiro, o empresário Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, mencionou ter um encontro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O relato de Mauro Caputti Mattosinho foi divulgado inicialmente pelo site ICL Notícias em 1º de setembro.

Mattosinho, que se diz indignado com as conversas que ouviu, trabalhava até recentemente na Táxi Aéreo Piracicaba (TAP), empresa onde pilotava para Beto Louco e Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. Ambos são apontados pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Federal como chefes de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital) e estão foragidos.

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O voo em questão ocorreu em 6 de agosto de 2024, em um bimotor Israel G150 (prefixo PR-SMG) de São Paulo para Brasília, com escala no Rio. De acordo com o piloto, a sacola suspeita foi armazenada no toalete da aeronave. Ele relatou que funcionários da empresa Copape, do setor de combustíveis, pediram que a sacola fosse “especialmente cuidada”, o que ele interpretou como um indicativo de que continha valores em espécie.

Durante o trajeto, Mattosinho afirma ter ouvido Beto Louco perguntar a outros passageiros se “estava tudo certo com o Ciro” e se “o Ciro já estava os aguardando”, referindo-se explicitamente ao “senador Ciro”. O piloto fez um vídeo da sacola para documentar o fato. A reportagem teve acesso à gravação e confirmou em seu aparelho a data do voo.

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Procurada na terça e na quarta-feira para se manifestar sobre as alegações, a assessoria do senador Ciro Nogueira não respondeu. Antes da primeira publicação do ICL Notícias, o parlamentar já havia negado qualquer proximidade com Beto Louco ou ter recebido qualquer valor. Ele ingressou com ação por danos morais contra o veículo e afirmou ter colocado seus sigilos bancário, telemático e telefônico à disposição da Justiça.

O Senado Federal, a pedido do próprio senador, informou que não há registros de entrada de Beto Louco e Primo no gabinete de Ciro Nogueira em 2024. No entanto, um pedido de acesso à informação feito pelo ICL Notícias para obter dados sobre eventuais acessos dos investigados a outras dependências do Senado foi negado sob a alegação de que se tratam de “informações de caráter pessoal”.

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A aeronave PR-SMG, segundo o piloto, pertence aos donos da Copape, empresa peça-chave no esquema de fraude fiscal investigado. A trama envolve ainda a gestão de fundos de investimento. Documentos públicos ligam empresas de táxi aéreo a um fundo administrado por Rogério Garcia Peres, alvo da operação Carbono Oculto, do MP-SP, que o aponta como “administrador de fundos amplamente envolvido com o grupo Mohamad”.

A Altinvest, gestora de fundos citada nas investigações, emitiu nota afirmando que “repudia veementemente qualquer tentativa de associação de seu nome a atividades ilícitas”, negou administrar o fundo Capri e afirmou que Rogério Peres nunca manteve relação com o crime organizado, colaborando integralmente com as autoridades.

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