Em um movimento que aprofunda a crise política no Planalto, a federação partidária entre União Brasil e PP anunciou, nesta terça-feira (2), a ruptura formal com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em um comunicado conjunto lido no Congresso Nacional, as legendas determinaram que todos os seus filiados ocupantes de cargos no primeiro escalão deixem a Esplanada dos Ministérios em um prazo de 30 dias. Demais integrantes com cargos no governo devem renunciar imediatamente.
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A decisão, que já era esperada nos bastidores, joga luz sobre o futuro dos ministros do Turismo, Celso Sabino (União Brasil-PA), e do Esporte, André Fufuca (PP-MA). Ambos resistem publicamente a deixar os cargos, mas, de acordo com o comunicado partidário, estarão sujeitos a processo de expulsão se desobedecerem à ordem. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, afirmou que “vai prevalecer o bom senso”, pressionando publicamente pela saída de Fufuca.
A timing do anúncio é vista como um aceno político ao ex-presidente Jair Bolsonaro, cujo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) teve início na mesma data. Analistas apontam que a movimentação também está ligada a uma aproximação com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cotado como um potencial herdeiro político de Bolsonaro para as eleições de 2026.
O estopim do rompimento, segundo fontes partidárias, foram críticas públicas feitas pelo presidente Lula ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda, durante uma reunião ministerial recente, onde ele cobrou mais apoio de suas bases aliadas. O episódio teria sido considerado uma “situação constrangedora” por dirigentes do centrão, que aceleraram uma decisão inicialmente prevista para o próximo ano.
A decisão gera um imediato racha na base governista, mas seu alcance real ainda está sendo medido. O comunicado não deve atingir indicações feitas por grandes caciques do centrão que são filiados aos partidos, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Cargos em estatais, como a presidência da Caixa Econômica Federal, ocupada por Carlos Vieira (indicado de Lira), também permanecem em análise.
Enquanto a cúpula partidária se prepara para oficializar a saída em reuniões de diretoria marcadas para os próximos dias, a atenção se volta para os ministros Sabino e Fufuca. Eles são cotados para disputar o Senado em seus estados e contam com o apoio de Lula, o que cria um impasse entre a ambição eleitoral individual e a disciplina partidária. Nos corredores do Congresso, a expectativa é de que as negociações para uma saída negociada se estendam até o limite do ultimato.


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