Gaza se torna o conflito mais letal para jornalistas em um século, aponta estudo

O total de mortes em Gaza ultrapassa o de conflitos como as duas Guerras Mundiais, do Vietnã, da Coreia e da Iugoslávia juntos, que somaram 229 vítimas.

Um levantamento inédito da Universidade Brown, dos Estados Unidos, revela que o atual conflito em Gaza já é o mais mortal para profissionais de imprensa desde que se tem registro histórico. De outubro de 2023 a agosto de 2024, pelo menos 246 jornalistas foram mortos no território palestino, número superior ao somado de sete grandes guerras dos séculos XIX e XX.

Os dados, compilados a partir de múltiplas fontes, incluindo o Sindicato dos Jornalistas Palestinos e o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), mostram que o total de mortes em Gaza ultrapassa o de conflitos como as duas Guerras Mundiais, do Vietnã, da Coreia e da Iugoslávia juntos, que somaram 229 vítimas.

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A pesquisa alerta para a escala e a intensidade da tragédia: enquanto no Iraque a média anual de mortes de jornalistas foi de 13 ao ano, desde 2003, em Gaza a média atingiu 13 por mês no período analisado. Outros 520 profissionais ficaram feridos, e aproximadamente 800 familiares de jornalistas também foram mortos, segundo a entidade palestina.

O estudo ressalta, no entanto, que comparações entre conflitos devem considerar a fragmentação dos dados históricos, especialmente em guerras não ocidentais anteriores aos anos 1990. Conflitos como os da Síria e do Iraque também registraram números elevados – a Síria, por exemplo, contabiliza mais de 700 mortes de profissionais de imprensa desde 2011, de acordo com a Rede Síria para os Direitos Humanos.

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Quase todos os jornalistas mortos em zonas de guerra são repórteres locais. Em 2023, 98% das vítimas eram profissionais do próprio país em conflito, segundo o International News Safety Institute (INSI). Em Gaza, a imensa maioria dos mortos é formada por palestinos.

Nesta segunda-feira (25), um ataque israelense ao hospital Nasser, em Khan Yunis, matou cinco jornalistas palestinos. O governo de Israel admitiu que as vítimas não tinham ligação com o Hamas e anunciou a abertura de uma investigação sobre o que classificou como “acidente trágico”. O Exército israelense afirmou que o alvo era uma câmera supostamente instalada pelo grupo terrorista.

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O Hamas rejeitou a versão israelense, classificando-a como “infundada” e uma tentativa de escapar das responsabilidades legal e moral pelo que chamou de “massacre”. O incidente elevou para pelo menos 20 o número de mortos no local.

A comunidade internacional acompanha com alarme a deterioração das condições de segurança para a imprensa em zonas de conflito, com organismos a pressionar por mecanismos mais efetivos de proteção aos profissionais que atuam sob fogo cruzado.

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