Higienismo Gentil: Padre Júlio Lancellotti cobra justiça social real para população em situação de rua

É hora de escolher: vamos manter o higienismo ou construir, de fato, uma sociedade inclusiva?

📝 Este é um editorial do Portal Cubo.
As opiniões aqui expressas refletem a visão do Cubo e têm como objetivo promover o debate crítico sobre temas relevantes à sociedade.

O padre Júlio Lancellotti, conhecido por sua incansável defesa dos direitos humanos, trouxe ao 2º Encontro Nacional PopRuaJud uma crítica contundente ao que chamou de “higienismo gentil”: políticas que, sob um discurso de inclusão, mantêm a população em situação de rua à margem da sociedade. Suas palavras ecoam um problema estrutural: em um país marcado pela desigualdade, o Estado neoliberal não resolve, apenas administra a miséria.

Lancellotti não poupou críticas ao abismo entre as promessas institucionais e a realidade nas ruas. “Tudo é Gov.BR, mas quem não tem celular ou internet fica excluído”, destacou, lembrando que a burocracia digital é mais uma barreira para quem já sofre com a invisibilidade social. Não basta criar políticas se elas não são acessíveis. O que se vê, muitas vezes, são medidas cosméticas, que limpam as cidades para agradar ao mercado, mas não garantem direitos básicos como moradia, alimentação e dignidade.

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Um dos pontos mais importantes de sua fala foi o desmonte do mito de que “dar esmola alimenta a vagabundagem”“Ninguém vai para a rua porque ganha um prato de comida”, afirmou. A criminalização da solidariedade mascara a verdadeira raiz do problema: um sistema econômico que expulsa pessoas de suas casas, seja pela especulação imobiliária, seja pelo agronegócio que avança sobre territórios vulneráveis. Enquanto o lucro for colocado acima da vida, a população de rua será tratada como “inimigo número um” do desenvolvimento. Um desenvolvimento que, na prática, só beneficia os mais ricos.

O apelo final do padre foi um chamado à ação: “Não tenham medo de se rebelar!”. E ele tem razão. Rebelar-se contra um Judiciário que muitas vezes legitima despejos violentos. Rebelar-se contra uma Igreja que, em muitos casos, silencia diante da injustiça. Rebelar-se contra um Estado que prefere gastar com grades e câmeras a investir em políticas públicas efetivas.

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O exemplo do guarda-roupa social no Maranhão mostra que mudanças são possíveis quando há vontade política. Mas iniciativas isoladas não bastam. É preciso romper com a lógica que trata a pobreza como um incômodo a ser removido, e não como uma chaga social a ser curada.

Enquanto o Brasil não enfrentar suas desigualdades de forma estrutural , com reforma agrária, taxação de grandes fortunas, investimento em moradia popular e direitos trabalhistas, continuaremos enxugando gelo. A população em situação de rua não precisa de piedade. Precisa de justiça. E, como lembrou Lancellotti, justiça sem rebeldia é apenas retórica.

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