Maranhão entre a vaidade política e a luta contra a desigualdade

Brandão não economizou críticas ao grupo do ex-governador Flávio Dino, hoje ministro do STF, e à senadora Ana Paula Lobato, chamada por ele de “senadora sem voto”.

O desabafo do governador Carlos Brandão expõe a fratura entre o discurso de desenvolvimento social e a realidade de um estado ainda marcado por profundas desigualdades. Enquanto o governador se gaba de programas assistenciais e anuncia a saída de sua base do partido, é preciso questionar se sua gestão está, de fato, priorizando o povo maranhense ou apenas reproduzindo velhas práticas de clientelismo e disputa pelo poder.

Brandão não economizou críticas ao grupo do ex-governador Flávio Dino, hoje ministro do STF, e à senadora Ana Paula Lobato, chamada por ele de “senadora sem voto”. Mas, em meio a acusações de “exigência de rendição”, o que fica claro é que a briga é pelo controle da máquina. Enquanto políticos se digladiam, o Maranhão continua sendo um dos estados mais pobres do país, com centenas de milhares de famílias ainda na miséria.

O governador citou números como a retirada de “um milhão de pessoas da extrema pobreza” e a ampliação de programas sociais, mas é preciso ir além dos dados oficiais. A redução da pobreza é uma conquista importante, mas será que essas políticas são estruturantes ou apenas paliativas? O Maranhão precisa de mais do que ambulâncias, asfalto e escolas. Precisa de um projeto que enfrente as raízes da desigualdade, como a concentração de terra, a falta de industrialização e a histórica exclusão das periferias e do campo.

Brandão promete tirar mais “quinhentas mil pessoas da pobreza até dezembro”, mas essa fala soa como marketing político. A pobreza não se resolve apenas com programas emergenciais, mas com reformas profundas: reforma agrária, investimento massivo em educação e saúde públicas, geração de empregos dignos e democratização do acesso às riquezas do estado. Enquanto o governo se gaba de inaugurações, é preciso perguntar: quem realmente se beneficia com essas obras?

O Maranhão não pode ser refém de disputas entre grupos políticos que, no fundo, mantêm os mesmos vícios do coronelismo. O povo maranhense merece mais do que discursos. Merece um projeto de estado que coloque os trabalhadores no centro, e não as oligarquias de sempre. Se Brandão quer mesmo fazer história, que deixe de lado as vaidades e priorize uma transformação de fato. Antes que o povo decida cobrar não só nas urnas, mas nas ruas.

Leia outras notícias em cubo.jor.br. Siga o Cubo no BlueSky, Instagram e Threads, também curta nossa página no Facebook e se inscreva em nossos canais, do Telegram e do Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso e-mail.

Leia outras notícias em cubo.jor.br. Siga o Cubo no BlueSky, Instagram e Threads, também curta nossa página no Facebook e se inscreva em nossos canais, do Telegram e do Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso e-mail.

Deixe um comentário

Anúncios
Anúncios
Image of a golden megaphone on an orange background with the text 'Anuncie Aqui' and a Whatsapp contact number.
Anúncios