📝 Este é um editorial do Portal Cubo.
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A história do turista norueguês Mads Mikkelsen, barrado nos EUA por um meme do vice-presidente J.D. Vance, é um sintoma de um país que, sob governos autoritários e xenófobos, transformou suas fronteiras em zonas de exceção, onde direitos básicos são suspensos em nome de uma suposta “segurança nacional”.
O relato de Mikkelsen é assustador: revistado como um criminoso, ameaçado com prisão e multa por se recusar a entregar a senha do celular, submetido a interrogatórios sobre “extremismo de direita” e obrigado a doar sangue. Tudo porque, em seu aparelho, havia uma imagem satírica de um político e uma foto de um cachimbo de madeira. A alegação das autoridades migratórias de que a recusa se deveu ao “uso de drogas” soa como uma justificativa frágil, especialmente quando o próprio turista afirma que as imagens eram inocentes e sequer foram buscadas por ele.
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Este episódio revela a crescente militarização das fronteiras estadunidenses, onde agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) agem como juízes e carrascos, decidindo arbitrariamente quem pode ou não entrar no país. Sob a retórica do combate ao terrorismo e ao narcotráfico, os EUA têm normalizado práticas dignas de estados policiais: escrutínio digital forçado, coleta de dados biométricos e criminalização de qualquer expressão que desagrade ao poder estabelecido.
Não é coincidência que, no governo Trump – cujo discurso é marcado pela demonização de imigrantes e pela defesa de um nacionalismo beligerante –, casos como o de Mikkelsen se multipliquem. Países como China, Dinamarca e Finlândia já alertam seus cidadãos sobre os riscos de viajar aos EUA, e o turismo internacional no país despenca, com perdas estimadas em US$ 12,5 bilhões apenas em 2024.
A ironia é cruel: a nação que se autoproclama “terra da liberdade” tornou-se um lugar onde estrangeiros são tratados como suspeitos em potencial, onde um meme pode ser motivo de deportação e onde a privacidade é sacrificada no altar do controle estatal. Enquanto isso, o verdadeiro extremismo – o de um sistema que prende crianças em jaulas na fronteira com o México, que persegue ativistas políticos e que legitima a violência policial – segue intocado.
Mikkelsen não é um criminoso. É apenas mais uma vítima de um regime de fronteiras que opera sob a lógica da paranóia e do preconceito. Se os EUA querem recuperar sua imagem como destino acolhedor, precisam urgentemente rever suas políticas migratórias – antes que o mundo decida, de vez, que não vale a pena pisar em solo americano.
Liberdade, afinal, não combina com celas de aeroporto.
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