Mostra de Circo Quilombos do Maranhão leva arte e resistência a comunidades tradicionais

De 05 e 09 de junho nos Quilombos de São Luís, Anajatuba e Santa Rita

Entre os dias 05 e 09 de junho, artistas circenses vão percorrer comunidades quilombolas do Maranhão, nos municípios de São Luís, Anajatuba e Santa Rita, levando espetáculos de palhaçaria, teatro de bonecos, música e muito encantamento! A Mostra é um lugar de troca, riso e memória. Uma celebração da cultura popular brasileira através da alegria do picadeiro. É um encontro mágico entre a arte do Circo e a ancestralidade quilombola. 

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A Mostra traz em seu repertório espetáculos circenses do coletivo “O CIRCO TÁ NA RUA”, do Maranhão, da FAMÍLIA LOS IRANZI, e do PALHAÇO APERREIO, da Paraíba, para um encontro entre o riso do picadeiro e a força dos territórios quilombolas. 

A Mostra de Circo Quilombos do Maranhão começou ser pensada em 2022, quando o produtor cultural ANTÔNIO SOBREIRA (Palhaço Aperreio) trouxe para São Luís o projeto Encanta Cordel, também incentivado pelo Instituto Cultural Vale e Lei Rouanet com o objetivo de trabalhar com o Patrimônio Cultural do Cordel, que percorreu algumas comunidades quilombolas do Maranhão, nas cidades de Santa Rita, Anajatuba e área urbana de Bacabeira. Estar nos Quilombos de Queluz em Anajatuba, Vila Fé em Deus em Santa Rita e o Ir na sede do Boi da Floresta no Quilombo Urbano da Liberdade, em São Luís, despertou a vontade de levar espetáculos circenses num intercâmbio com grupos locais e da Paraíba. Conhecendo o trabalho de circo social do Coletivo “O Circo Tá na Rua” de São Luís e sendo parceiro e amigo da “Família Los Iranzi” que atuam com artes circenses e TEATRO DE BONECOS BABAU (CASIMIRO COCO) percebeu que uma mostra com esses artistas se faria algo mais do que apenas circular espetáculos, mas ter uma aproximação das comunidades quilombolas, entender demandas, criar ligações, trocar experiências artísticas e culturais, e pensar em futuros projetos de artes. 

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PALHAÇO APERREIO – PB 

Antônio Sobreira (Palhaço Aperreio) é Produtor Cultural, Palhaço, Equilibrista, Músico e Acrobata. Doutor em Geografia com a tese “Pedagogia Anarquista e Radical”, Antônio, ou Toinho como gosta de ser chamado, iniciou as atividades artísticas em 2010 com o Grupo Rosa dos Ventos, em Presidente Prudente-SP, e seu palhaço “nasceu” aos 45 anos de idade. Mineiro, radicado em João Pessoa, mudou-se para a Paraíba e trabalhou na Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba como gerente de 20 pontos de cultura e setor de projetos e convênios. Em paralelo realizou apresentações solo como palhaço e em contação de histórias no Ponto de Cultura Castelo de Histórias. Atuou na equipe de produção do Festival de Música Sesc da Paraíba, em Areia-PB, em 2023 e 2024. Segundo a fotógrafa paraibana, Karla Noronha: “O Palhaço Aperreio é uma expressão vibrante da arte e cultura de João Pessoa, Paraíba! Sua palhaçaria vai além do riso – ele conecta pessoas, transforma espaços e nos convida a enxergar o mundo com leveza e criatividade”

FAMÍLIA LOS IRANZI – PB 

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Com cerca de 30 anos de carreira a Família Los Iranzi surgiu na década de 90, com o casal de palhaços, Mamadeira (Viky Iranzi- Argentina radicada no Brasil) e Chumbinho (Tarcisio Junior – Paraibano), que se encontraram nas estradas e começaram a dividir os palcos das ruas. Logo a família começou a crescer com a chegada de JUJUBA (Luana Iranzi), ESPOLETA (Pedro Iranzi) e COCHINHA (Manuela Iranzi), e o grupo se consolidou como uma família circense mambembe . Sua formação artística é moldada no convívio e em encontros com grandes Mestres da cultura popular, através da pesquisa do palhaço popular (o brincante) e de trocas com grandes mestres da cultura Popular, entre eles: Mestre Gaudêncio/CE (Mestre perna de pau), Mestre Carlos Gomide/GO (Fundador da Carroça de Mamulengo), Mestre Babi Guedes/CE (Mamulengo Estrela Do Norte), garantindo muita diversão e ensinamentos das culturas populares brasileiras. Em 2016, a família foi contemplada com a reforma do seu veículo no quadro Lata Velha, do programa Caldeirão do Huck. A Família Los Iranzi também atua em projetos sociais e culturais na Paraíba. 

O CIRCO TÁ NA RUA – MA 

O Coletivo “O Circo tá na rua” surgiu no ano de 2013, como forma de democratizar a arte circense e levar entretenimento diretamente às ruas, por meio de encontros semanais oferecendo a população o acesso aos materiais para o aprendizado das técnicas circenses, em um grande treino coletivo, construindo um espaço de formação, discussão e revitalização da arte circense, em praça pública, no centro histórico de São Luís. O Circo Tá na Rua funciona em rede com diversos outros grupos culturais locais que atuam na ocupação de espaços públicos promovendo ações sociais e culturais voltadas à comunidade. De forma independente, em pouco tempo, o projeto tornou-se referência para artistas de circo locais e viajantes do Brasil e do mundo que buscam trocar experiências circenses, haja vista ser o único lugar da cidade de São Luís que oferece vivência gratuita de circo para qualquer pessoa de todas as idades. 

Dentre as principais atividades, além da oficina de circo que acontece semanalmente, as que compõem o calendário de ações do grupo são: a “Caravana O Circo Tá na Rua”, o “Festival de Circo em São Luís”, o “Sarau de Segunda” e o projeto “Vem Andar e Voa”. Tem em seu repertório espetáculos de palhaçarias, malabaristas, mágica, pirofagia, pernas de pau, acrobacia aérea, dentre outros. 

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Descentralizar, ruralizar, quilombalizar a fruição dos bens culturais de forma concreta é o centro da proposta que pretende favorecer um circuito de artes quilombola integrando futuramente as artes criadas por essas pessoas, protagonizando conjuntamente. 

Essa mostra inclui também o Coletivo de Mulheres Negras, da CASA DAS PRETAS, do Bairro Coroadinho, em São Luís, por serem parceiras desde 2022, e por terem trabalho valioso em sua comunidade, fortalecendo suas ações sociais que irá culminar com a Mostra de Circo Quilombos do Maranhão. 

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Espera-se com essa mostra apresentar escolas diferentes de circo, mas todas com identidade social reconhecendo as matrizes culturais que antecedem esses artistas. Este circo desses artistas estão envolvidos nas questões reais e dilemas de nossa sociedade e que segue com a frase “a arte que não mexe, não move”. Brincando com essa frase, queremos dizer que o papel da arte é mover a sociedade para sua melhoria. Esses artistas brincando, falam de um movimento social da cultura da paz e desenvolvimento humano. Entreter é importante, mas melhorar a sociedade é urgente! 

Arte que não mexe, não move! 

Esta iniciativa é realizada através do mecanismo de renúncia fiscal da LEI ROUANET com incentivo do INSTITUTO CULTURAL VALE e apoio da PREFEITURA DE SANTA RITA-MA. 

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SINOPSES 

“Com Quantas Palhaças se faz um circo” – Coletivo O Circo Tá na Rua – MA (50min) Duas palhaças muito astutas desenham toda sua história de artistas mulheres e apresentam um olhar inovador sobre o universo circense. A peça resgata a história de mulheres palhaças e os desafios que enfrentam para conquistar protagonismo em um ambiente tradicionalmente dominado por homens. Trazendo uma apresentação emocionante, misturando humor, brincadeiras e números clássicos da palhaçaria. 

“Brincando de Ser Brincantes” – Família Los Iranzi – PB (50min) 

Apresentação circense mesclando criações próprias e clássicas, com a medida certa de poesia e brincadeiras. O grupo é multi artístico e a música popular e elementos do circo se mesclam com grande animação, alegria e vibração. 

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“Nascimento de Casimiro Coco (Babau)” – Família Los Iranzi – PB (50min) 

Teatro de bonecos conhecido como Babau na Paraíba, Mamulengo em Pernambuco e Casimiro Coco no Maranhão. Um trabalho na qual a família Los Iranzi é guardiã do “Mamulengo Estrela Do Norte Do Mestre Babi Guedes” (in memorian) onde apresentam os personagens tradicionais, com roupagens e temáticas de nossos dias, com respeito à diversidade 

“Não pode Ser Aqui” – Palhaço Aperreio – PB (35mim) 

Este trabalho trata de um palhaço que luta pelo seu futuro e pede ao público para ajudar no seu desenvolvimento individual, mas isso não basta. Não poder ser aqui recorre a uma entrada clássica de palhaçaria adaptada a questões atuais de nossa sociedade envolvendo música, perna de pau e interação com o público. 

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PROGRAMAÇÃO 

Anajatuba (05/06 quinta-feira) – Escola Quilombo Queluz Lançamento do projeto 

14h – “Nascimento de Casimiro Coco Babau” com a Família Los Iranzi – PB 

16h – “Com Quantas Palhaças se faz um circo” com o Coletivo O Circo Tá na Rua – MA 

Santa Rita (06/06 sexta feira) – Quilombo Recurso 

16h – “Não pode Ser Aqui” com o Palhaço Aperreio – PB 

17h – “Nascimento de Casimiro Coco (Babau)” com a Família Los Iranzi – PB 

Anajatuba (07/06 sábado) – Quilombo São Pedro 

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16h – “Não pode Ser Aqui” com o Palhaço Aperreio – PB 

17:30h – “Com Quantas Palhaças se faz um circo” com o Coletivo O Circo Tá na Rua – MA 

Santa Rita (08/06 domingo) – Quilombo Liberdade 

17:30h Brincando de Ser Brincantes Circo – Família Los Iranzi – PB 

18:30h – “Com Quantas Palhaças se faz um circo” com o Coletivo O Circo Tá na Rua – MA 

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São Luís (09/06 segunda-feira) – Casa das Preta (Coletivo Mulheres Negras) Coroadinho 

15h – Brincando de Ser Brincantes Circo – Família Los Iranzi – PB 

19h – Com Quantas Palhaças se faz um circo – Coletivo O Circo Tá na Rua – MA 

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