Entre as 20 cidades com os menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil, sete ficam no Maranhão – e a maioria não recebe emendas parlamentares há pelo menos um ano. Dados do Portal da Transparência mostram que os últimos repasses para esses municípios ocorreram até junho de 2024, com valores que, em geral, não ultrapassaram R$ 1 milhão.
Enquanto o Congresso Nacional destinou R$ 28 bilhões em emendas entre junho de 2024 e maio de 2025, apenas 0,09% desse total chegou às cinco cidades mais necessitadas que receberam algum recurso. No Maranhão, a situação é ainda mais crítica: municípios como Marajá do Sena (IDH 0,452, um dos mais baixos do país) e Fernando Falcão aguardam anos por verbas federais.
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Em Araioses, no leste do estado, apenas 42,9% da população tem acesso à água tratada, e só 34,4% contam com coleta de lixo, segundo o IBGE. A cidade não recebe emendas desde 2023. Já Fernando Falcão, uma das localidades mais isoladas do estado, só conseguiu um repasse de R$ 145 mil em maio deste ano – valor que estava parado desde 2019.
“Esses municípios não têm arrecadação própria suficiente. Muitas vezes, uma única emenda supera o orçamento anual da prefeitura”, explica Mayra Goulart, cientista política da UFRJ.
Luciana Santana, professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), afirma que a distribuição de emendas no Maranhão segue mais a lógica política do que as necessidades reais. “Cidades pobres e distantes dos centros de poder são esquecidas, enquanto aliados de deputados e do governo estadual acabam privilegiados”, diz.
O GLOBO procurou parlamentares maranhenses para comentar os critérios de distribuição, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição. Enquanto isso, prefeitos de cidades como Marajá do Sena seguem dependendo de migalhas do Orçamento para tentar melhorar indicadores básicos, como saúde e infraestrutura.
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