Mulheres pretas são as que mais sofrem discriminação por múltiplos fatores no Brasil, aponta pesquisa

Os dados mostram que 84% dos entrevistados pretos já sofreram discriminação racial.

Uma pesquisa inédita revela que 72% das mulheres pretas no Brasil já enfrentaram discriminação motivada por mais de um fator, como raça, gênero, classe social e aparência física. O estudo, realizado pelas organizações Vital Strategies e Umane, com apoio da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e do Ministério da Igualdade Racial, reforça a necessidade de políticas públicas que considerem a interseccionalidade no combate às desigualdades.

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Entre os homens pretos, 62,1% também relataram sofrer discriminação por múltiplas razões. No total, 70,9% da população preta entrevistada indicou mais de um motivo para os episódios de preconceito. A pesquisa, que aplicou pela primeira vez em nível nacional a Escala de Discriminação Cotidiana, ouviu 2.458 pessoas entre agosto e setembro de 2024.

Racismo estrutural no cotidiano

Os dados mostram que 84% dos entrevistados pretos já sofreram discriminação racial. Quando questionados sobre situações específicas, 57% afirmaram receber atendimento pior que outras pessoas “frequentemente” ou “sempre”. Além disso, 51,2% disseram ser tratados com menos gentileza e 49,5%, com menos respeito. Entre os brancos, esses índices não ultrapassam 14%.

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Aparência física, local de origem e nível educacional ou de renda aparecem como os principais motivos de discriminação para pretos e pardos. Já entre os brancos, os fatores mais citados foram idade, gênero e peso corporal.

Vigilância e desconfiança

A pesquisa também destacou situações de estigmatização: 21,3% dos pretos relataram ser seguidos em lojas, contra 8,5% dos brancos. A sensação de serem vistos como desonestos foi mencionada por 16,6% dos pretos e 20,2% dos pardos, enquanto apenas 5,9% dos brancos compartilharam essa percepção.

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Saúde e políticas públicas

Para especialistas, a discriminação tem impactos diretos na saúde física e mental. “Experiências contínuas de preconceito funcionam como estresse psicossocial”, explica Janaína Calu, consultora da Vital Strategies. Pedro de Paula, diretor-executivo da organização, defende que o SUS deve incorporar o combate ao racismo em suas políticas.

Layla Pedreira Carvalho, do Ministério da Igualdade Racial, ressalta a importância de ações integradas entre governo, setor privado e sociedade civil. “É preciso monitorar práticas discriminatórias em todas as esferas, incluindo o acesso a serviços públicos”, afirma.

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Os resultados reforçam a urgência de estratégias que considerem as múltiplas formas de opressão enfrentadas pela população negra, especialmente as mulheres pretas, no Brasil.

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