Em 2023, o Brasil registrou 45.747 mortes violentas, uma média de 125 por dia, segundo dados do Atlas da Violência 2025, divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Apesar do número elevado, o estudo aponta uma redução de 20,3% em relação a 2013, quando foram contabilizados 57.396 homicídios.
A taxa de mortes por 100 mil habitantes chegou a 21,2 no ano passado, a mais baixa já registrada na série histórica, que começou em 2013. Em comparação com 2017, ano mais violento (65.602 homicídios), a queda é de cerca de 30%.
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Fatores para a redução
Segundo Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e um dos coordenadores do estudo, dois fatores principais explicam a tendência de queda: o envelhecimento da população e mudanças nas políticas de segurança pública.
“O jovem é um ator central na dinâmica da violência, seja como vítima ou autor. Com o envelhecimento populacional, há uma pressão natural para a redução”, afirmou. Ele também destacou uma “revolução invisível” na segurança, com maior uso de inteligência e planejamento em vez de abordagens apenas repressivas.
Desigualdades regionais
Enquanto alguns estados apresentam taxas próximas a países desenvolvidos, como São Paulo (6,4) e Santa Catarina (8,8), outros ainda enfrentam índices alarmantes. O Amapá lidera com 57,4 homicídios por 100 mil habitantes, seguido pela Bahia (43,9) e Pernambuco (38).
Onze unidades da federação reduziram sistematicamente as taxas nos últimos oito anos, entre eles Espírito Santo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Já o Amapá viu um aumento de 88,2% em 11 anos.
Armas de fogo e subnotificação
As armas de fogo foram usadas em 71,6% dos homicídios em 2023, totalizando 32.749 casos. O estudo também alerta para a subnotificação: cerca de 4.692 mortes violentas por ano não são registradas oficialmente. Com essa correção, a taxa estimada sobe para 23 homicídios por 100 mil habitantes.
Em São Paulo, por exemplo, a taxa oficial de 6,4 salta para 11,2 quando incluídos os casos não contabilizados, colocando o estado atrás de Santa Catarina no ranking de menor violência.
Apesar dos avanços, os pesquisadores reforçam a necessidade de políticas integradas para consolidar a queda e reduzir as disparidades regionais.
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