Leão XIV e o desafio de ser ‘comunista’ por pregar a paz

Antes mesmo de sua eleição, um tuíte atribuído a ele criticou duramente a política migratória de Donald Trump

A primeira fala pública do novo Papa Leão XIV foi um simples e profundo desejo: “A paz esteja com todos vocês”. Palavras cristãs, evangélicas, humanistas. Mas, em um mundo onde a caridade virou “esquerdismo” e a defesa dos pobres é tratada como “subversão”, não surpreenderá se, em breve, setores da direita radical — especialmente os bolsonaristas — começarem a chamar o novo pontífice de “comunista”. Afinal, foi o que fizeram com Francisco, apenas porque ele ousou lembrar que o Evangelho exige justiça social.

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Robert Francis Prevost, agora Leão XIV, assume o papado em um momento crucial para a Igreja Católica. O primeiro papa norte-americano da história chega após um pontificado marcante de Francisco, que reposicionou a Igreja como voz ativa na defesa dos marginalizados — dos refugiados aos pobres, dos povos originários às vítimas do capitalismo predatório. E os primeiros sinais de Leão XIV sugerem que ele não fugirá desse legado.

Antes mesmo de sua eleição, um tuíte atribuído a ele criticou duramente a política migratória de Donald Trump, denunciando a deportação cruel de salvadorenhos e questionando: “Vocês não veem o sofrimento? A consciência de vocês não se incomoda?”. Se confirmada a autoria, a mensagem revela um papa alinhado com a tradição profética da Igreja, que não se cala diante da injustiça.

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É irônico — e sintomático — que, em um mundo onde líderes religiosos conservadores abraçam o discurso do ódio e do nacionalismo xenófobo, um papa seja chamado de “comunista” simplesmente por lembrar o óbvio: que Cristo não pregou a acumulação de riquezas, mas a partilha; não a exclusão, mas o acolhimento. Francisco foi atacado por isso. Agora, Leão XIV, com sua trajetória de missionário no Peru e sua crítica às deportações desumanas, provavelmente enfrentará a mesma resistência reacionária.

O desafio do novo papa será manter a Igreja como farol de esperança em tempos de crescente desigualdade e autoritarismo. Se ele seguir os passos de Francisco — aprofundando as reformas, defendendo os direitos dos pobres e denunciando as estruturas de opressão —, certamente será alvo da mesma máquina de difamação que tenta reduzir o cristianismo a uma religião de privilégios, não de justiça.

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Mas, como bem lembra o Evangelho, “bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”. Que o papa Leão XIV tenha a coragem de ser, de fato, “comunista” — no sentido que os reacionários tanto temem: o de quem não se conforma com um mundo onde a paz é privilégio de poucos, e não direito de todos.

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