Violência escolar atinge 71 mil vítimas no Brasil em dez anos, com maior impacto sobre meninas e adolescentes negros

O retorno às aulas presenciais após o isolamento da Covid-19 trouxe um aumento nos registros de violência, superando níveis pré-pandêmicos.

Entre 2014 e 2024, o Brasil registrou 71.297 casos de violência escolar, segundo análise da Agência Tatu com base em dados do DataSUS. Os números, que incluem agressões interpessoais e autoprovocadas, revelam um cenário marcado por desigualdades de gênero e raça, com maior vulnerabilidade entre meninas e estudantes negros.

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Perfil das vítimas: meninas, negros e pré-adolescentes
As mulheres representam 60% das vítimas, percentual que chega a 68% no Norte do país. Em relação à raça, 46% dos casos envolvem alunos autodeclarados pretos ou pardos. A faixa etária mais afetada é a de 10 a 14 anos (37% dos registros), seguida por jovens de 15 a 19 anos (22%).

Para Silmara Mendes, doutora em serviço social pela UFPE, a predominância feminina está ligada a padrões culturais que incentivam a passividade em meninas, enquanto a maior incidência entre negros reflete desigualdades estruturais. “A violência escolar é uma expressão da violência de gênero e racial, muitas vezes naturalizada”, afirma.

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Pandemia e redes sociais agravaram cenário
O retorno às aulas presenciais após o isolamento da Covid-19 trouxe um aumento nos registros de violência, superando níveis pré-pandêmicos. Danilo Bastos, psiquiatra especializado em terapia infanto-juvenil, atribui parte do problema ao período de afastamento social. “A escola se tornou palco do transbordamento de uma dor acumulada”, explica.

As redes sociais também aparecem como fator agravante, com o cyberbullying e discursos de ódio influenciando comportamentos. “Muitos jovens aprenderam que a agressão é a única forma de expressar frustração”, diz Bastos, que defende a inclusão de educação midiática e emocional no currículo escolar.

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Desafios para políticas públicas
Especialistas apontam que os dados, ainda que preocupantes, representam um avanço na visibilidade do problema. A necessidade agora, segundo os analistas, é transformar essa informação em políticas efetivas de acolhimento e prevenção, com abordagens que considerem as especificidades de gênero, raça e faixa etária.

Enquanto isso, as escolas seguem no centro do desafio de equilibrar formação acadêmica e suporte socioemocional – uma equação complexa, mas essencial para reverter os números da violência.

Com informações da Agência Tatu.

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