O Brasil subiu 47 posições no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2025, divulgado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), passando do 110º lugar em 2022 para a 63ª posição neste ano. A melhora é atribuída a um ambiente menos hostil ao jornalismo após o governo Bolsonaro, marcado por ataques à imprensa e discursos de descredibilização da mídia.
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O estudo avalia a capacidade de jornalistas produzirem e divulgarem informações de interesse público sem interferências políticas, econômicas ou ameaças à sua segurança. Apesar do avanço brasileiro, o cenário global é preocupante: seis em cada dez países registraram queda no índice, e, pela primeira vez na história da pesquisa, metade das nações foi classificada com condições “ruins” para o exercício do jornalismo. Apenas 24% têm cenário considerado “satisfatório”.
Independência econômica é desafio global
O relatório destaca que a concentração da propriedade de veículos, pressão de anunciantes e cortes em subsídios públicos afetam a sustentabilidade da imprensa. “Sem independência financeira, não há imprensa livre”, afirma Anne Bocandé, diretora editorial da RSF. A pontuação média global ficou abaixo de 55 pontos, classificando a situação como “difícil”.
Retrocessos na Argentina e crise no Peru
Enquanto o Brasil avança, a Argentina despencou 47 posições desde 2022, ocupando agora o 87º lugar. A RSF critica o governo de Javier Milei por estigmatizar jornalistas, desmontar a mídia pública e usar verbas publicitárias como ferramenta de pressão. No Peru (130º), a liberdade de imprensa entrou em “colapso”, com queda de 53 posições devido a assédio judicial e campanhas de desinformação.
EUA sob Trump e o perigo no Oriente Médio
Os Estados Unidos (57º) enfrentam crescente polarização e hostilidade contra jornalistas no segundo mandato de Donald Trump, que cortou financiamento a veículos independentes. Já o Oriente Médio e o Norte da África seguem como as regiões mais perigosas para a imprensa, com destaque para os ataques israelenses a profissionais em Gaza.
Big Techs e a crise do jornalismo
A RSF alerta para o papel das gigantes da tecnologia (Google, Apple, Meta, Amazon e Microsoft) na desestabilização da mídia, ao dominarem a distribuição de informação e capturarem receitas publicitárias. Em 2024, o gasto com anúncios em redes sociais atingiu US$ 247 bilhões, agravando a dependência dos veículos tradicionais e a disseminação de desinformação.
Apesar dos avanços no Brasil, o relatório reforça que a liberdade de imprensa global está sob ameaça, com riscos à democracia e ao direito à informação.
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