O 1º de Maio não é uma homenagem abstrata ao “trabalho”. Não é um elogio vazio à produtividade, muito menos uma data para que patrões e governos neoliberais celebrem a exploração disfarçada de meritocracia. O verdadeiro significado dessa data é o trabalhador — sua luta, sua dor, sua resistência. Mas o capitalismo, como sempre, tenta apagar a memória de classe e transformar um dia de combate em um feriado domesticado.
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A tentativa de apagar o protagonismo do Trabalhador
Desde sua origem, o 1º de Maio foi marcado pelo sangue de operários executados por exigirem direitos básicos, como a jornada de oito horas. Não foi o “trabalho” que foi às ruas de Chicago em 1886; foram trabalhadores, organizados e dispostos a enfrentar a repressão.
No Brasil, a distorção da data começou cedo. Getúlio Vargas, ainda que tenha avançado em algumas garantias trabalhistas, rebatizou o “Dia do Trabalhador” como “Dia do Trabalho”, numa tentativa de desviar o foco da luta de classes para uma celebração genérica. A ditadura militar aprofundou essa estratégia, esvaziando o caráter combativo da data e transformando-a em um evento controlado pelo Estado e pelas elites.
Hoje, essa manipulação continua. Empresários, grandes mídias e governos neoliberais insistem em chamar a data de “Dia do Trabalho”, como se o importante fosse a produção, e não as pessoas que a sustentam. Querem que celebremos o “empreendedorismo”, o “esforço individual” e a “flexibilização” — eufemismos para precarização — enquanto escondem que, sem o trabalhador, não há trabalho, não há riqueza, não há país.
Por que o protagonista sempre foi (e sempre será) o Trabalhador
O capitalismo tenta nos fazer crer que o “trabalho” é uma entidade autônoma, descolada de quem o executa. Mas não há produção sem operários, não há lucro sem trabalhadores, não há economia sem gente suando no chão de fábrica, nas lavouras, nos aplicativos, nos escritórios.
Quando o governo e o empresariado falam em “gerar empregos”, raramente mencionam que tipo de emprego estão criando: se é com direitos, se paga dignamente, se garante condições humanas. Preferem romantizar o “trabalho” enquanto cortam verbas da educação, saúde e aposentadorias — como se o trabalhador não merecesse vida além da labuta.
A Data Pertence à Classe Trabalhadora
O 1º de Maio não é dos patrões, não é do agronegócio, não é das plataformas digitais que sugam jornadas exaustivas por migalhas. É dos motoboys que arriscam a vida nas entregas, das domésticas sem carteira assinada, dos professores esgotados, dos metalúrgicos que mantêm a indústria de pé.
Enquanto tentam nos fazer aplaudir o “trabalho”, nós lembramos: o que deve ser celebrado é a luta dos trabalhadores, não a exploração que sofrem. A data não é sobre gratidão ao sistema — é sobre demandar direitos, reduzir jornadas, aumentar salários e acabar com a precarização.
O capitalismo sempre tentará apagar a força coletiva da classe trabalhadora, transformando suas conquistas em peças de museu e suas datas em feriados comerciais. Mas a história não se apaga. O 1º de Maio seguirá sendo um dia de luta, porque o trabalhador não é um recurso — é o protagonista de sua própria emancipação.
Dia do Trabalhador, sempre. Dia do Trabalho, nunca.
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