Red Pill Cristã: O disfarce misógino por trás do discurso de ‘Masculinidade Bíblica’

Evangélica denuncia misoginia e humilhação em comunidades cristãs “redpill”

O relato de Jordana Vucetic, jovem evangélica exposta e humilhada por homens que se escondem atrás de uma suposta “masculinidade bíblica”, não é apenas mais um desabafo nas redes sociais. É um sintoma de um problema maior: a instrumentalização da religião para justificar o ódio, a objetificação das mulheres e a perpetuação de um machismo que nada tem de cristão.

A comunidade Red Pill Cristã, que se autointitula guardiã dos “valores tradicionais”, revela-se, na prática, um movimento reacionário que transforma o evangelho em arma de opressão. Sob o pretexto de defender a “moralidade”, esses homens reduzem mulheres a objetos — “marmitas”, “carros com quilometragem zerada” —, como se a dignidade feminina fosse mensurável por sua vida sexual passada. A hipocrisia é flagrante: enquanto pregam castidade para as mulheres, justificam a promiscuidade masculina como “natureza inevitável”.

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A Seletividade do Julgamento

O discurso desses homens ignora o cerne do cristianismo: a graça. Jesus não exigiu que a mulher adúltera justificasse seu passado antes de perdoá-la (“Vá e não peques mais“). Incluiu Raabe, uma prostituta, em sua genealogia. Conversou com a samaritana, que teve cinco maridos, sem reduzi-la a um “pecado”. Mas, para a Red Pill Cristã, a régua é flexível:

  • Para homens: “Testosterona” e “natureza masculina” servem de álibi para a libertinagem.
  • Para mulheres: O passado é uma sentença perpétua, mesmo após arrependimento e conversão.
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Não se trata de moralidade, mas de poder. Esses homens não temem o “pecado”; temem mulheres que ousam existir fora do controle patriarcal.

A Red Pill e a Desumanização das Mulheres

A pílula vermelha (“red pill“) nasceu em fóruns misóginos da internet, onde mulheres são retratadas como inimigas a serem dominadas. Agora, vestida de linguajar religioso, essa ideologia infecta comunidades evangélicas, transformando o púlpito em palco para o ódio.

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Mulheres como Jordana, que buscam fé genuína, são silenciadas, difamadas e expostas — não por “defender a Bíblia”, mas por desafiar a hierarquia que coloca o homem como juiz supremo da santidade alheia. Até figuras conservadoras como Damares Alves são atacadas quando incomodam.

Onde Está a Igreja?

Enquanto isso, muitas lideranças evangélicas silenciam. Por quê? Será porque parte desse machismo tóxico está entranhado em suas próprias estruturas? A omissão diante de abusos como os relatados por Jordana normaliza a violência psicológica e espiritual contra mulheres.

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É urgente que as comunidades de fé rejeitem essa falsa “masculinidade bíblica” — que nada tem de bíblica, mas muito de projeto político de dominação. O evangelho não é ferramenta para humilhar; é libertação.

Solidariedade, Não Silêncio

A Jordana não está sozinha. Quantas outras mulheres são caladas, culpadas e violentadas dentro das igrejas? Se a cruz de Cristo é suficiente para perdoar homens, por que não para mulheres?

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Aos que compactuam com essa lógica: lembrem-se de quem jogou a primeira pedra. E às Jordanas deste país: sua voz importa. Denunciem. Exijam justiça. E saibam que, acima de qualquer julgamento humano, a graça não tem gênero.

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