A Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares), uma organização com atuação em comunidades indígenas, está no centro de um esquema que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentadorias do INSS. A entidade, presidida pelo pecuarista Carlos Roberto Ferreira Lopes, embolsou R$ 202,3 milhões em 2023 com descontos em benefícios previdenciários, muitos deles de indígenas, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).
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A Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, apura cobranças indevidas em parcerias entre o INSS e ONGs. A Conafer, que se apresenta como defensora de pequenos agricultores e povos tradicionais, teria usado sua influência em terras indígenas para recrutar aposentados e pensionistas como “associados”, descontando valores de seus benefícios sem autorização.
Estratégia de captação em aldeias
A entidade promoveu mutirões de aposentadoria em comunidades indígenas, como na região de Barcelos (AM), em parceria com o INSS. Líderes indígenas relataram ao Intercept Brasil que a Conafer oferecia caminhonetes, salários e cestas básicas em troca de apoio.
— “O modo operante deles é oferecer benefícios para as lideranças”, disse um cacique Pataxó, sob anonimato.
Enquanto isso, a ONG multiplicou seu número de associados: saltou de 231 mil em 2021 para 641 mil em 2023 – cada um representando um desconto automático na aposentadoria.
Ligação com o agronegócio e suspeitas de fraude
Por trás da fachada de assistência social, a Conafer é comandada por um empresário do agro: Carlos Lopes é dono de uma empresa de melhoramento genético de gado e uma holding nos EUA, além de ter negócios em mineração.
Apesar de se autointitular “representante indígena”, Lopes não é reconhecido por organizações como a APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). Mesmo assim, participou de audiências no Senado e na Funai como porta-voz de povos originários.
INSS suspende parcerias e promete devolver valores
O esquema, que começou em 2016, foi impulsionado por uma normativa do INSS em 2022, permitindo que entidades como a Conafer descontassem valores diretamente dos benefícios.
Após a operação, o INSS suspendeu os convênios e afirmou que os aposentados lesados terão o dinheiro devolvido. A Conafer alega que apenas 11% de sua receita vem do INSS e nega irregularidades.
Enquanto isso, a PF investiga se a entidade falsificou autorizações para vincular beneficiários ao esquema. O caso já levou ao afastamento do diretor do INSS, Alessandro Stefanutto, e de outros quatro servidores.
Com informações do Intercept Brasil.
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