O caso do soldado Valdir de Oliveira Franco Filho, de apenas 19 anos, não é um incidente isolado – é a expressão mais cruel de uma cultura militar arcaica que ainda enxerga a violência como método legítimo de “formação de caráter”. Enquanto o jovem luta para recuperar os movimentos das pernas, vítima de supostas agressões dentro do Arsenal de Guerra de São Paulo, setores reacionários insistem em romantizar a barbárie com frases como: “Quartel é pra macho. Tem uns nutelas que não aguentam o rojão”. Essa mentalidade não só naturaliza a tortura, como revela o quanto ainda precisamos avançar para desmilitarizar as relações de poder em nossa sociedade.
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O relato de Valdir é estarrecedor: chutes de coturno no peito, exercícios forçados até o colapso, vômitos de sangue ignorados e, por fim, uma lesão grave na coluna que pode ser irreversível. Se confirmadas as acusações, não se trata de “excesso” ou “falha pontual”, mas de um sistema que historicamente reproduz violência sob o pretexto de disciplina. O Exército nega irregularidades, mas quantos outros casos como esse ficam encobertos pelo manto da hierarquia e do silêncio imposto aos soldados?
A defesa cega das instituições militares, mesmo diante de indícios de tortura, reflete um projeto de poder que glorifica a opressão. Não por acaso, essa mesma lógica justificou os anos de chumbo da ditadura e hoje ecoa em discursos que associam “fraqueza” à busca por direitos humanos. Quem ousa denunciar abusos é tachado de “frouxo”, como se resistir à desumanização fosse um defeito, e não um ato de coragem.
É urgente que o Estado investigue com rigor este caso e puna os responsáveis, mas também que a sociedade questione: até quando aceitaremos que jovens, muitos pobres e negros, sejam submetidos a essa máquina de violência em nome de uma suposta “honra militar”? O sonho de Valdir de ser mecânico do Exército foi destruído, mas sua voz precisa servir de alerta. Quartel não é “lugar pra macho” – é instituição pública, que deve respeitar a integridade física e mental de todos, sob pena de perpetuar crimes à sombra dos quartéis.
Enquanto a direita brasileira aplaude a brutalidade como virtude, cabe à esquerda amplificar as vozes dos Valdirs desta nação e exigir justiça. Porque nenhum projeto de país soberano se constrói sobre o sangue e o sofrimento de seus soldados.
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