O Maranhão emergiu como epicentro dos conflitos agrários no Brasil em 2024, segundo o relatório anual da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado nesta quarta-feira (23). O estado concentrou 21,6% de todas as ocorrências de violência contra ocupações de terra no país – 363 dos 1.768 casos registrados nacionalmente – e alarmantes 83,5% dos casos de contaminação por agrotóxicos (228 de 276).
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Terra e água: disputas em alta
Enquanto o Brasil registrou aumento de 2,5% nos conflitos por terra (1.768 casos) e 18,2% por água (266), o Maranhão se destacou negativamente em ambos os cenários. Além de liderar as violências fundiárias, o estado aparece como terceiro em conflitos no campo no geral, atrás apenas de Pará e Bahia.
Agrotóxicos: contaminação em escala
O dado mais preocupante, porém, é a explosão de casos de contaminação por agrotóxicos. Se entre 2015 e 2023 a média nacional era de 24 casos anuais, só em 2024 o Maranhão registrou 228 – um aumento de 838% em relação à média histórica. A CPT atribui o fenômeno à expansão desregulada do agronegócio e à pulverização aérea próxima a comunidades tradicionais.
Violência estrutural e impunidade
- Vítimas: Indígenas (29%), posseiros (25%) e quilombolas (13%) são os mais atingidos
- Agressores: Fazendeiros respondem por 44% das violências; empresários por 15%
- Conexão policial: 30% dos assassinatos relacionados a latifúndios no estado tiveram participação de agentes de segurança
Cenário de ameaças
O relatório documentou ainda 47 ameaças de morte no Maranhão – parte do recorde nacional de 272 casos em 2024. “É um padrão de intimidação para esvaziar a resistência das comunidades”, alerta o coordenador regional da CPT, João Pedro Gonçalves.
Pressão por respostas
Organizações locais exigem a atuação do Ministério Público e da Secretaria de Direitos Humanos para:
- Investigar a contaminação por agrotóxicos
- Proteger lideranças ameaçadas
- Fiscalizar propriedades com histórico de violência
O relatório completo será debatido em audiência pública na Assembleia Legislativa do Maranhão na próxima semana, com participação de comunidades afetadas.
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