Enquanto muitos brasileiros enfrentam a Sexta-Feira da Paixão em meio a privações, algumas lideranças políticas parecem crucificar diariamente os princípios da administração pública. O caso de Presidente Juscelino, município comandado pelo prefeito Pedro Paulo (PL), é emblemático: revela como o poder pode ser instrumentalizado para beneficiar poucos, enquanto a maioria sofre com atrasos salariais e serviços públicos precários.
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A reportagem em questão expõe uma realidade que não é exclusividade dessa cidade, mas sintomática de um sistema político que privilegia elites locais. Thamiris Rabelo, primeira-dama e pré-candidata em Cachoeira Grande, recebe quase R$ 20 mil mensais em um município onde servidores públicos sequer têm seus direitos trabalhistas respeitados. Enquanto ela ostenta carros de luxo e um estilo de vida que contrasta brutalmente com a realidade da população, funcionários municipais passam dificuldades até para garantir o básico.
Não se trata apenas de um caso de possível enriquecimento ilícito, mas de um modelo de gestão que transforma o Estado em cabide de empregos e fonte de privilégios. A nomeação de familiares para cargos comissionados, as negociações obscuras e o uso da máquina pública para projetar ambições políticas são práticas que corroem a democracia e aprofundam a desigualdade.
É sintomático que isso ocorra em um governo do Partido Liberal, mesmo partido de Jair Bolsonaro que, nacionalmente, se alia a um projeto de poder que desmonta políticas sociais e fortalece o patrimonialismo. Enquanto o Ministério Público é acionado para investigar, a população precisa ir além da indignação: deve cobrar transparência e lembrar nas urnas que o voto não pode ser moeda de troca para perpetuar esquemas de corrupção.
A Paixão de Cristo, para muitos, simboliza sacrifício e renúncia. Já para certos políticos, a única paixão parece ser o poder – e o dinheiro público é a cruz que o povo é obrigado a carregar.
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