O caso chocante do ovo de Páscoa envenenado no Maranhão vai além de um crime isolado: é o retrato extremo de como o ciúme, muitas vezes romantizado pela sociedade, pode se transformar em violência mortal. Jordélia Pereira Barbosa, a principal suspeita, não agiu por impulso. Planejou meticulosamente cada detalhe – viajou centenas de quilômetros, falsificou identidades, encenou uma degustação de chocolates e, friamente, enviou o presente mortal. Tudo porque não suportava ver seu ex-companheiro com outra mulher.
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A romantização do ciúme
Vivemos em uma cultura que trata o ciúme como prova de amor. Novelas, músicas e filmes repetem a narrativa de que “quem ama, cuida” – e, no imaginário popular, “cuidar” muitas vezes significa controlar, vigiar e até punir. Quantas vezes ouvimos frases como “ele é ciumento, mas é porque gosta de você” ou “se não sente ciúme, é porque não ama”? Essa normalização é perigosa.
O ciúme não é amor – é posse. E quando ele se transforma em obsessão, o resultado pode ser trágico. O caso de Jordélia é apenas um exemplo extremo do que acontece diariamente em relacionamentos abusivos: perseguição, ameaças e, em situações como essa, até assassinato.
Do ciúme ao crime
Antes de colocar veneno no chocolate, Jordélia certamente alimentou seu ódio por muito tempo. Quantos sinais foram ignorados? Quantas pessoas próximas perceberam seu comportamento obsessivo, mas não intervieram? A sociedade costuma minimizar o ciúme doentio até que seja tarde demais.
O menino de sete anos que morreu intoxicado pagou com a vida por um sentimento que não era dele. Sua mãe e irmã, internadas em estado grave, são vítimas de uma cultura que ainda trata o ciúme como algo trivial, e não como o primeiro passo de uma espiral de violência.
É hora de desromantizar o ciúme
Precisamos parar de achar “normal” o parceiro que exige senhas do celular, que controla as amizades ou que persegue o ex nas redes sociais. Esses comportamentos não são provas de amor – são sinais de alerta.
O caso do Maranhão deveria servir como um choque de realidade. Enquanto o ciúme for visto como algo aceitável, casos como esse continuarão acontecendo. É preciso educar desde cedo que amor não é controle, que paixão não é posse e que nenhum relacionamento saudável se alimenta de ciúmes.
Jordélia responderá por seu crime, mas a sociedade também precisa refletir: até quando vamos fechar os olhos para o ciúme que mata?
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