O padre André Luiz Teixeira de Lima, da Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Monteiro, em Guaratiba, zona oeste do Rio, tornou-se alvo de uma violenta campanha de difamação por parte de grupos católicos extremistas. O religioso vem sendo chamado publicamente de “macumbeiro” – termo pejorativo associado a religiões de matriz africana – em faixas, redes sociais e até durante tentativas de impedir suas celebrações.
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O ápice da perseguição ocorreu no último domingo (16), quando fiéis e moradores bloquearam a entrada da igreja para impedir que o padre celebrasse a missa. Uma faixa com os dizeres “Fora macumbeiro” foi erguida em frente ao templo religioso. Nas redes sociais, perfis falsos e militantes de extrema-direita amplificam as acusações, associando seu trabalho pastoral com movimentos sociais e diálogo inter-religioso a supostas “práticas não-cristãs”.
Intolerância disfarçada de fé
A deputada Dani Monteiro (PSOL), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, denunciou o caráter racista dos ataques. “Não se trata apenas de discordância teológica. Chamar um padre de ‘macumbeiro’ revela o preconceito contra as religiões afro-brasileiras que permeia essa perseguição”, afirmou. A parlamentar acompanha o caso, já que o padre precisou se afastar das atividades por temor à segurança.
O deputado federal Henrique Vieira (PSOL) foi mais direto: “É ódio racial e religioso disfarçado de zelo católico. O padre André incomoda exatamente por romper com a visão colonialista de que cristianismo e cultos afro são inimigos”.
Tradição ecumênica x fundamentalismo
O Movimento Inter-Religioso da Zona Oeste emitiu nota lembrando que o próprio Vaticano promove o diálogo entre religiões desde o Concílio Vaticano II (1962-1965). “O Papa Francisco já celebrou terços com pais de santo. Aqui no Rio, Dom Orani Tempesta participa há anos de encontros ecumênicos. Chamar isso de ‘macumba’ é ignorância ou má-fé”, diz o texto.
Enquanto a Decradi investiga os crimes de intolerância religiosa, o caso expõe uma tensão crescente: de um lado, setores da Igreja que veem o sincretismo como herança cultural; de outro, grupos fundamentalistas que usam a fé como arma de exclusão.
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