Aumento de casos de sarampo nas Américas acende alerta no Brasil

Apesar de a primeira dose da vacina ter atingido 95% de cobertura em 2024, menos de 80% das crianças receberam a segunda dose

O continente americano registra um aumento preocupante de casos de sarampo em 2024, com 507 infecções confirmadas até agora, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No Brasil, três casos foram registrados – dois no Rio de Janeiro e um no Distrito Federal –, mas, por enquanto, o país mantém o certificado de eliminação da doença, conquistado em 2023.

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Para perder a recertificação, o Brasil precisaria ter transmissão sustentada do mesmo genótipo viral por pelo menos um ano, explica Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e Exantemáticos da Fiocruz, referência da Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, os casos são considerados isolados: os dois bebês do Rio ainda não tinham idade para vacinação, e a mulher do DF provavelmente foi infectada em viagem internacional.

Risco de surto e vigilância epidemiológica

Das 110 notificações suspeitas até 12 de março, 22 ainda estavam sob investigação, conforme dados do Ministério da Saúde. O sarampo exige notificação imediata e medidas rigorosas, como bloqueio vacinal em locais frequentados pelos infectados.

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“O vírus do sarampo é um dos mais contagiosos: uma pessoa pode infectar até 17 outras em ambientes com baixa imunização”, alerta Siqueira. A situação se agrava com os surtos em países como EUA (301 casos e duas mortes), Canadá (173) e Argentina (11).

Queda na vacinação e desafios

Apesar de a primeira dose da vacina ter atingido 95% de cobertura em 2024, menos de 80% das crianças receberam a segunda dose – essencial para garantir proteção duradoura. “A eficácia é de 93% a 95% por dose, mas alguns não respondem adequadamente. O reforço é crucial”, explica Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

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A pandemia agravou o cenário, com quedas nas taxas de imunização e um acúmulo de suscetíveis. Adultos de até 59 anos não vacinados também devem procurar postos de saúde, já que quase metade dos casos nas Américas atingiu pessoas entre 10 e 29 anos.

Imunidade coletiva e desinformação

Luciana Phebo, do Unicef Brasil, destaca que o sarampo é um “termômetro da vacinação”: qualquer falha na imunidade coletiva permite surtos. Além da redução na cobertura durante a COVID-19, a hesitação vacinal – impulsionada por desinformação e perda do medo da doença – preocupa autoridades.

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“Sem alta cobertura, bebês e imunossuprimidos ficam vulneráveis”, reforça Phebo. A solução, segundo especialistas, está na vacinação em massa, que já evitou milhões de mortes desde os anos 1960.

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