Não pode abrir nem o próprio carro

Quantos Gabriéis são revistados à força na porta do próprio prédio? Quantos são segurados por seguranças em shoppings? Quantos são parados pela polícia sem motivo?

Imagine ser espancado por tentar abrir a porta do seu próprio carro. Imagine ter que provar, sob ameaça de morte, que você não é um ladrão, mas o dono. Essa foi a realidade de Gabriel, jovem negro agredido com requintes de crueldade no Maranhão por um casal que, segundo as provas coletadas pelo MP-MA, agiu como se ele não pudesse ser proprietário de um Chevrolet Agile.

https://vm.tiktok.com/ZMBf7WRMY/

Anúncios

O caso expõe a dura realidade do racismo estrutural: as imagens de segurança mostram a violência, os documentos comprovam que Gabriel era o dono do veículo, e a dinâmica do episódio revela o que especialistas apontam como padrão de criminalização da negritude. Não importava a chave na ignição ou os documentos no bolso – naquele momento, sua pele escura foi tratada como prova suficiente de suposta delinquência.

O inquérito descreve cenas chocantes: Gabriel jogado no chão, asfixiado com mata-leão, com o pescoço pisoteado, enquanto ouvia frases como “Não deixa ele escapar”. A brutalidade do caso evidencia um problema social profundo – a naturalização da suspeição sobre corpos negros em espaços públicos.

Anúncios

Não se trata aqui de julgar antecipadamente os acusados, cujo processo segue em curso, mas de reconhecer o padrão social que transforma simples atos cotidianos – como abrir um carro – em situações de risco para pessoas negras. Quantos Gabriéis são revistados à força na porta do próprio prédio? Quantos são segurados por seguranças em shoppings? Quantos são parados pela polícia sem motivo?

Enquanto isso, chama atenção a discrepância no tratamento judicial: Jhonnatan, que já tem condenação por homicídio culposo em acidente de trânsito, responde em liberdade. Ana Paula teve sua conduta reclassificada para lesão corporal. O caso ocorre no mesmo estado onde Gerô foi torturado até a morte por PMs em 2022 – história que voltou à tona justamente no Dia Estadual de Combate à Tortura.

Anúncios

A recente lei que equiparou injúria racial a racismo foi um avanço, mas casos como este mostram que precisamos ir além:

  1. Educação antirracista em todas as instituições
  2. Capacitação do sistema judiciário para reconhecer o racismo como motivador de violências
  3. Responsabilização efetiva quando a violência racial é comprovada

Gabriel sobreviveu para contar sua história. Quantos não tiveram essa chance? Enquanto um homem negro precisar temer por sua vida ao realizar algo tão simples como abrir seu próprio carro, estaremos falhando como sociedade.

Leia outras notícias em cubo.jor.br. Siga o Cubo no BlueSky, Instagram e Threads, também curta nossa página no Facebook e se inscreva em nossos canais, do Telegram e do Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso e-mail.

Leia outras notícias em cubo.jor.br. Siga o Cubo no BlueSky, Instagram e Threads, também curta nossa página no Facebook e se inscreva em nossos canais, do Telegram e do Youtube. Envie informações e denúncias através do nosso e-mail.

Deixe um comentário

Anúncios
Anúncios
Image of a golden megaphone on an orange background with the text 'Anuncie Aqui' and a Whatsapp contact number.
Anúncios