Negros são minoria em cursos de elite, mas predominam em Serviço Social e Religião, aponta Censo 2022

No curso de Medicina, que tem a maior proporção de brancos entre todas as graduações, apenas 22% dos formados em 2022 se declararam negros (sendo 2,8% pretos e 19% pardos).

Dados do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam uma realidade marcada pela desigualdade racial no ensino superior brasileiro. Enquanto negros (pretos e pardos) são minoria em cursos como Medicina, Odontologia e Economia, eles predominam em áreas como Serviço Social e Religião. Os números destacam as barreiras históricas que ainda impedem uma maior representatividade da população negra em graduações consideradas de elite.

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Medicina: apenas 22% dos formados são negros

No curso de Medicina, que tem a maior proporção de brancos entre todas as graduações, apenas 22% dos formados em 2022 se declararam negros (sendo 2,8% pretos e 19% pardos). Em contraste, 75,5% dos graduados são brancos. A disparidade racial também se reflete na distribuição geográfica. Enquanto o Distrito Federal tem a maior concentração de médicos por habitante (um para cada 186,9 moradores), o Maranhão, estado com a maior população negra do país, registra a menor proporção (um médico para cada 921,7 habitantes).

Negros são maioria em Serviço Social e Religião

Em contraste com a subrepresentação em Medicina, os negros são maioria em cursos como Serviço Social e Religião e Teologia. No Serviço Social, 50,7% dos formados são negros (pretos e pardos), enquanto brancos representam 47,2%. Já em Religião e Teologia, os negros também superam os brancos, com 52,3% dos graduados.

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Essa divisão reflete um padrão histórico: cursos com maior prestígio social e retorno financeiro continuam sendo dominados por brancos, enquanto áreas com menor valorização no mercado têm maior participação de negros. Essa tendência é reforçada por fatores como acesso desigual a escolas de qualidade, falta de políticas afirmativas efetivas e barreiras socioeconômicas.

Ensino superior triplica, mas desigualdades raciais persistem

O número total de pessoas com ensino superior completo no Brasil saltou de 8,6 milhões em 2000 para 25,6 milhões em 2022. No entanto, a distribuição por raça ainda reflete profundas desigualdades. Dos 25,6 milhões de graduados, 16 milhões são brancos, enquanto negros somam 9,3 milhões (7,5 milhões pardos e 1,8 milhão pretos). Amarelos e indígenas representam 300,4 mil e 54 mil, respectivamente.

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Apesar dos avanços, a população negra ainda enfrenta desafios significativos para acessar e concluir o ensino superior. A implementação de políticas afirmativas, como cotas raciais, tem contribuído para mudar esse cenário, mas os dados mostram que há um longo caminho a percorrer para alcançar a equidade.

Mulheres negras: dupla barreira

No recorte de gênero, as mulheres já são maioria no ensino superior, com 15,3 milhões de graduadas, ante 10,4 milhões de homens. No entanto, as mulheres negras enfrentam uma dupla barreira: além do racismo, precisam superar estereótipos de gênero. Elas são maioria em cursos como Assistência Social e Enfermagem, mas continuam subrepresentadas em áreas como Engenharia e Tecnologia.

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