A greve dos rodoviários que paralisou o transporte público na capital maranhense nesta segunda-feira (17) não é apenas um reflexo das reivindicações da categoria, mas também um sintoma de um problema estrutural que há décadas afeta São Luís: a dependência quase exclusiva de um único modal de transporte, controlado por um grupo restrito de empresários.
A cidade, que cresceu e se modernizou em diversos aspectos, ainda mantém um sistema de transporte público arcaico e centralizado, operado majoritariamente por empresas ligadas ao Sindicato das Empresas de Transporte (SET). Essa concentração de poder nas mãos de poucos grupos empresariais faz com que a população fique refém de decisões que impactam diretamente seu dia a dia, como as constantes paralisações.
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A falta de diversificação dos modais de transporte em São Luís é um problema crônico. Enquanto outras capitais brasileiras investem em metrôs, BRTs (Bus Rapid Transit), ciclovias e integração de sistemas, a capital maranhense segue estagnada, sem alternativas viáveis para os cidadãos. As greves, que se repetem ao longo dos anos, são um alerta claro: São Luís precisa se modernizar e romper com a dependência de um sistema que já se mostra insuficiente e frágil.
A Prefeitura de São Luís, historicamente, tem falhado em implementar políticas públicas que diversifiquem e ampliem as opções de mobilidade urbana. A falta de investimentos em modais alternativos, como o transporte sobre trilhos ou sistemas de transporte coletivo não poluentes, mantém a cidade presa a um modelo ultrapassado e ineficiente.
O prefeito Eduardo Braide derrama rios de dinheiro para o SET, sabendo que no próximo ano, as empresas vão alegar que estão no prejuízo, provocando mais uma greve, mas mesmo afirmando que tem prejuízo, não larga o osso.
Enquanto isso, a população sofre. Nesta segunda-feira, milhares de pessoas foram impactadas pela greve, sem opções para se deslocar. A dependência do transporte rodoviário, somada à falta de planejamento urbano, revela a urgência de uma mudança estrutural.
A modernização do transporte público em São Luís é uma obrigação do poder público. A cidade precisa de um sistema integrado, eficiente e sustentável, que garanta o direito básico de ir e vir aos cidadãos. As greves são um aviso: é hora de agir antes que a situação se torne insustentável.
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