Maranhão lidera ranking de queimadas no Nordeste, com 9,9 milhões de hectares devastados em seis anos

Dentre os municípios maranhenses, Mirador e Balsas aparecem no topo do ranking de áreas queimadas

O Maranhão é o estado nordestino mais atingido por queimadas nos últimos seis anos, com um total de 9,9 milhões de hectares devastados pelo fogo entre 2019 e 2024. Os dados, coletados pela plataforma MapBiomas e analisados pela Agência Tatu, mostram que o estado lidera tanto em números absolutos quanto proporcionais: são 30 mil hectares queimados a cada 100 mil hectares de território. O problema, que afeta principalmente áreas florestais e de mata, tem mobilizado esforços do governo estadual para conter os incêndios e promover práticas sustentáveis.

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De acordo com o levantamento, o Maranhão registrou 3,5 milhões de hectares queimados em 2019, número que subiu para 3,7 milhões em 2024, um aumento de 6%. Apesar do crescimento, o índice é o menor entre os estados nordestinos, reflexo de ações implementadas nos últimos anos. Em setembro de 2024, o governo lançou o Plano de Prevenção, Combate e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDQ), que tem como meta reduzir o desmatamento ilegal e as queimadas, promovendo um modelo de desenvolvimento sustentável.

Ações do governo
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema) informou que o PPCDQ é resultado de um esforço conjunto entre órgãos estaduais, sociedade civil, empresas privadas, ONGs, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultura familiar e setor do agronegócio. O plano amplia as ações do programa “Maranhão Sem Queimadas”, que, em 2024, realizou mais de 4,8 mil atendimentos e distribuiu mais de 3 mil equipamentos de combate a incêndios para o Corpo de Bombeiros e brigadas municipais.

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O Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) também tem desempenhado papel crucial no combate às queimadas. A corporação utiliza drones para monitoramento aéreo, permitindo a identificação de focos de incêndio em tempo real. Além disso, são criados aceiros para evitar a propagação do fogo e realizadas capacitações com comunidades locais sobre prevenção e combate a incêndios. “O trabalho tem caráter preventivo e emergencial, contemplando áreas florestais, de matas e indígenas”, informou o CBMMA.

Municípios mais afetados
Dentre os municípios maranhenses, Mirador e Balsas aparecem no topo do ranking de áreas queimadas, com 146 mil e 124 mil hectares devastados, respectivamente. A reportagem tentou contato com as prefeituras para obter posicionamento, mas não obteve retorno.

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Causas e desafios
O geólogo Washington Rocha, coordenador do MapBiomas Caatinga, explica que as queimadas no Maranhão estão diretamente relacionadas a práticas agrícolas inadequadas. “A maioria dos incêndios tem relação com desmatamentos e manejos inadequados para práticas agrícolas. A perda de controle provoca a proliferação do fogo, especialmente em condições ambientais favoráveis, como temperaturas altas e menor umidade”, afirmou.

Rocha alerta que, sem medidas preventivas, o problema tende a se agravar. “As mudanças climáticas preveem eventos extremos, com climas mais áridos e temperaturas mais elevadas. Com menos chuva e maior temperatura, é de se esperar que a área afetada pelas queimadas aumente”, destacou.

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Redução recente
Apesar dos desafios, o Maranhão registrou uma redução de mais de 20% nas áreas queimadas entre 2023 e 2024, caindo de 3,8 milhões para 3,7 milhões de hectares. O resultado é atribuído a uma combinação de fatores climáticos, como maior umidade, e às ações de combate e prevenção implementadas pelo governo.

Nota do Governo do Maranhão
Em nota, a Sema reforçou o compromisso com a redução das queimadas e destacou que o PPCDQ tem como meta promover um modelo de desenvolvimento sustentável, aliando a proteção dos biomas ao manejo responsável dos recursos naturais. O órgão também ressaltou a importância das campanhas educativas e blitz ambientais realizadas em diversas regiões do estado para conscientizar a população sobre os impactos negativos das queimadas irregulares.

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O Corpo de Bombeiros do Maranhão reiterou que continuará atuando de forma preventiva e emergencial, com foco em áreas críticas, incluindo florestas e territórios indígenas, sempre em parceria com órgãos como o Ibama e a Funai.

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