O recente recuo do governo federal em relação ao monitoramento das movimentações financeiras via Pix é mais um exemplo do quanto a comunicação pública pode ser prejudicial quando mal conduzida. A decisão de revogar a norma que ampliava a fiscalização, tomada após a proliferação de fake news, expõe não só a vulnerabilidade da gestão em lidar com a desinformação, mas também uma incapacidade crônica de comunicar seus objetivos de maneira clara e eficaz.
Desde o início, a medida tinha como intenção reforçar o controle fiscal e combater práticas criminosas como a lavagem de dinheiro. Contudo, o governo não conseguiu antecipar a tempestade de desinformação que se seguiu. A proliferação de notícias falsas, amplamente difundidas por setores oposicionistas, gerou um clima de desconfiança e pânico entre a população, o que levou à revogação da medida.
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Ao recuar, o governo deu a impressão de que as fake news estavam corretas, reforçando a narrativa de que havia algo a ser escondido ou corrigido. Essa percepção prejudica a confiança da população não apenas nas medidas governamentais, mas também na segurança do sistema financeiro digital.
A reação tardia e ineficaz também levanta questões sobre a gestão de crises dentro do governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao anunciar a edição de uma Medida Provisória para garantir a gratuidade e o sigilo das transações via Pix, tentou conter os danos. No entanto, a falta de uma comunicação proativa e clara desde o início fez com que a medida corretiva parecesse um paliativo, e não uma solução estruturada.
O mais preocupante é como essa situação foi explorada politicamente por setores que atuam contra os interesses do Estado. Parlamentares oposicionistas aproveitaram-se da confusão para manipular a opinião pública, contribuindo para o enfraquecimento da credibilidade das instituições. O ministro Haddad foi enfático ao criticar esses atores, mas a crítica, embora válida, chega tardiamente para reparar os danos já causados.
Esse episódio deveria servir de lição para o governo. A comunicação é um pilar fundamental da governança, especialmente em tempos de desinformação desenfreada. Não basta ter boas intenções ou medidas eficazes; é crucial que essas medidas sejam explicadas de forma transparente e antecipada à população. A confiança pública é conquistada com clareza e consistência, não com recuos e improvisações.
É necessário que o governo invista em uma estratégia de comunicação mais robusta e proativa, capaz de enfrentar a desinformação com fatos e transparência. Somente assim será possível evitar que episódios semelhantes prejudiquem não apenas a imagem do governo, mas também a confiança da população em suas instituições democráticas.
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