A impunidade em casos de mortes cometidas por policiais militares (PMs) no estado de São Paulo é alarmante, de acordo com a dissertação de mestrado da advogada Débora Nachmanowicz, defendida em setembro na Universidade de São Paulo (USP). A pesquisa, que analisou inquéritos envolvendo PMs entre 2015 e 2020, revelou que menos de 2% dos casos investigados resultam em condenação.
Foram registrados 1.224 inquéritos sobre homicídios cometidos por PMs durante esse período, mas apenas 122 casos foram denunciados pelo Ministério Público – o que representa cerca de 10% dos inquéritos iniciais. Desses, menos da metade (60) chegou a ser julgado por um tribunal, e, após o julgamento, somente 20 réus foram condenados, totalizando menos de 2% das investigações iniciais.
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Mecanismos que favorecem a impunidade
Débora Nachmanowicz apontou que a impunidade está ligada a uma série de fatores no sistema de justiça. Durante o acompanhamento dos julgamentos no 1º Tribunal do Júri de São Paulo, a advogada identificou o constrangimento como um dos principais mecanismos para a absolvição de policiais. A presença de outros PMs na plateia, com acesso a informações sobre os jurados, cria um ambiente intimidatório e dificulta o processo de condenação.
Além disso, a alegação de legítima defesa, muitas vezes não contestada, tem sido utilizada como estratégia defensiva pelos advogados, mesmo na ausência de testemunhas dispostas a esclarecer o caso. O medo de represálias e o constrangimento dificultam o trabalho das autoridades e prejudicam o direito das vítimas à justiça.
O estudo de Débora Nachmanowicz expõe não apenas os números alarmantes da impunidade, mas também os mecanismos que garantem a proteção de PMs acusados de crimes, evidenciando a necessidade urgente de reformas no sistema penal e de maior proteção a testemunhas e jurados.
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