Estudo detecta novo tipo de hantavírus em morcegos em reserva ecológica na Paraíba

Circulação de vírus em morcegos pode expor população às doenças conhecidas como hantaviroses

Um novo vírus, da família Hantaviridae, detectado em morcegos, foi identificado em espécies localizadas na Mata Atlântica brasileira. A descoberta pode ajudar na prevenção e no controle das infecções conhecidas como hantaviroses. A pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz em parceria com as universidades federais do Rio de Janeiro e da Paraíba foi publicada nesta quarta (6) em artigo na revista científica “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”. O hantavírus identificado na espécie morcego-de-cauda-curta de Seba (Carollia perspicillata) na Mata Atlântica, provisoriamente chamado de vírus Mamanguape, é um achado inédito no bioma da Mata Atlântica.

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Para a identificação genômica da espécie, foram analisadas quase 100 amostras de tecido pulmonar e renal de morcegos capturados na Reserva Biológica de Guaribas, na Paraíba, uma unidade de conservação da Mata Atlântica. Os pesquisadores concluíram que o vírus Mamanguape tem divergências genéticas significativas em relação a outros vírus identificados em morcegos e roedores silvestres, o que provavelmente representa uma nova linhagem de hantavírus.

O estudo alerta para a importância de ampliar os estudos sobre hantavírus transmitidos por morcegos, especialmente na Mata Atlântica, que abriga mais de 60% da população destes mamíferos no Brasil e engloba as principais metrópoles do país. A circulação desses vírus em morcegos associada a fatores como a crescente interação destes animais com o homem e os animais domésticos por alterações ambientais que levam à perda do seu habitat natural podem aumentar a vulnerabilidade da população às hantaviroses.

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Hoje, duas doenças se enquadram como hantaviroses: a síndrome cardiopulmonar por hantavírus nas Américas e a febre hemorrágica com síndrome renal na Eurásia. Elas podem variar de doenças febris até quadros mais severos, como a insuficiência respiratória grave, chegando a 70% de letalidade em algumas regiões. “Embora as infecções humanas estejam associadas aos hantavírus transmitidos por roedores, as crescentes descobertas de novos hantavírus em morcegos, com imprevisíveis potenciais patogênicos, aumentam o risco de exposição humana ao vírus”, destaca Patrick Jesus de Souza, autor do artigo e aluno de doutorado no programa de Medicina Tropical da Fiocruz, sob a orientação dos pesquisadores Renata Carvalho de Oliveira e André Santos.

De acordo com Souza, a parceria do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses da Fiocruz firmada com o Laboratório de Mamíferos (UFPB) e o Laboratório de Diversidade e Doenças Virais (UFRJ) possibilitará a investigação do novo vírus em novas amostras de morcegos da mesma área, trazendo um panorama mais atual sobre a prevalência desse vírus e a possibilidade do sequenciamento genômico completo. Isto elucidará suas relações de parentesco com outros hantavírus, inclusive os patogênicos ao homem. “A identificação genômica de um novo hantavírus possibilita o desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico e até mesmo de vacinas que confiram proteção contra estes agentes, além do conhecimento acerca da diversidade viral e de hospedeiros animais, que auxiliarão a vigilância em saúde na adoção de estratégias de prevenção e controle da doença”, conclui o pesquisador da Fiocruz.

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