A família de Jerder Pereira da Cruz, de 35 anos, denuncia negligência policial após sua morte violenta na madrugada de segunda-feira (28), no bairro Novo Horizonte, em Paço do Lumiar, Região Metropolitana de São Luís. Diagnosticado com esquizofrenia, Jerder estava em surto psicótico quando foi linchado por moradores. Segundo sua esposa, Fabiana Louzeiro, a Polícia Militar se recusou a atender o chamado, afirmando que “não era caso de polícia”, o que teria contribuído para a fatalidade.
De acordo com Fabiana, Jerder teve um surto psicótico ainda em casa, exibindo comportamento violento e desconexo. Preocupada com a própria segurança e a dos filhos, ela tentou conter o marido, mas sem sucesso. “Ele dizia que ouvia vozes, estava fora de si. Liguei para a polícia pedindo ajuda, mas me disseram que não era caso para eles, que eu deveria chamar o SAMU ou os bombeiros”, relata Fabiana, grávida de cinco meses.
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Sem a presença das autoridades, Jerder saiu pelas ruas do bairro, agredindo vizinhos e quebrando objetos, o que resultou em uma reação violenta por parte de alguns moradores. Ele foi perseguido, espancado e amarrado. Quando a polícia finalmente chegou, Jerder já estava gravemente ferido e inconsciente. “Se tivessem atendido meu pedido de ajuda, ele ainda estaria vivo”, desabafa Fabiana.
Testemunhas afirmam que Jerder invadiu uma igreja durante o surto, o que teria intensificado a agressão por parte dos moradores. Vídeos postados nas redes sociais mostram Jerder tentando fugir, deixando rastros de sangue. Ele foi encontrado sem roupas, amarrado e com sinais evidentes de espancamento. Apesar de ter sido levado ao hospital, ele não resistiu aos ferimentos e morreu pouco depois.
Fabiana, devastada pela perda, agora busca justiça pela omissão das autoridades. “Quando a polícia chegou, já era tarde. Meu marido estava todo machucado, sem dentes. Ele não merecia ser tratado assim. Se tivessem atendido quando liguei, ele poderia ter sido contido sem violência”, afirma.
A Polícia Militar registrou o caso como “morte a esclarecer” e a Delegacia da Cidade Operária está investigando. O g1 solicitou um posicionamento da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) sobre a alegada omissão policial, mas não obteve resposta até o momento.
A tragédia de Jerder Pereira expõe uma falha sistêmica no atendimento a pessoas em crises de saúde mental, além da falta de preparo da polícia para lidar com surtos psicóticos. Especialistas ressaltam que intervenções rápidas e adequadas podem evitar desfechos fatais como esse.
“Meu marido era uma pessoa boa, um profissional trabalhador. Ele só precisava de ajuda naquela noite”, diz Fabiana, que agora luta para que a morte de Jerder não seja esquecida e que haja responsabilidade sobre o ocorrido.
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