O estado do Maranhão figura entre os três estados brasileiros mais afetados por incêndios entre 1985 e 2023, de acordo com um estudo divulgado pelo MapBiomas Fogo. Quase metade das áreas queimadas no Brasil está concentrada em Mato Grosso, Pará e Maranhão, com o estado maranhense sofrendo um impacto significativo nesse período.
O levantamento aponta que, no Maranhão, a maioria das queimadas ocorre em propriedades particulares, e 68,4% da vegetação atingida pelo fogo são áreas de vegetação nativa. A agropecuária é a atividade humana mais comum nas áreas incendiadas, que representam 31,6% do total. O bioma Cerrado, predominante no Maranhão, é particularmente vulnerável, com 44% da área total queimada no Brasil situando-se nesse tipo de vegetação.
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A coordenadora do MapBiomas Fogo, Ane Alencar, explica que a maior parte dos incêndios no Maranhão, assim como em outras regiões do Brasil, não tem origem natural. “A grande maioria é causada ou iniciada pela atividade humana”, destaca a geógrafa. Os incêndios são mais comuns durante a estação seca, entre julho e outubro, com setembro sendo o mês mais crítico.
Impacto no Maranhão
O estudo revela que cerca de 65% das áreas afetadas pelo fogo no Maranhão foram queimadas mais de uma vez entre 1985 e 2023. A média anual de áreas incendiadas no Brasil é de 18,3 milhões de hectares, equivalente a uma área pouco menor que o estado de Sergipe. O Maranhão, com seu vasto território de vegetação nativa, sofre com a degradação contínua causada pelo fogo.
O Pantanal, apesar de representar uma menor área total, enfrenta incêndios intensos devido às secas prolongadas, uma situação que também ameaça partes do Maranhão. Além de danificar a cobertura vegetal e alterar o equilíbrio ambiental, as queimadas são uma fonte significativa de emissões de gases de efeito estufa, liberando carbono na forma de CO².
Medidas de prevenção e combate
Para enfrentar o problema das queimadas, o governo federal recentemente criou uma sala de crise para monitorar e combater incêndios e secas no país, com foco especial no Pantanal e na Amazônia, e que também impacta indiretamente o Maranhão. Em outra ação, foi lançado o programa União com Municípios pela Redução do Desmatamento e Incêndios Florestais na Amazônia, com investimentos de R$ 730 milhões para promover o desenvolvimento sustentável e combater o desmatamento em 70 municípios prioritários.
A pesquisadora Ane Alencar destaca que o uso do fogo em atividades agropecuárias é permitido, mas deve ser controlado. “O uso do fogo para queima de pastagens é permitido, mas tem que ter licença”, observa. Ela enfatiza a necessidade de orientar os produtores rurais sobre as melhores práticas para evitar que as queimadas se alastrem.
O estudo do MapBiomas fornece dados valiosos para a elaboração de estratégias de prevenção e controle de incêndios. “Esses dados podem ajudar a entender áreas sob maior risco de incêndios e melhorar os planejamentos e investimentos para o uso sustentável da terra”, conclui Alencar.
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