Na Venezuela, a ministra foi escolhida para representar o Brasil no órgão internacional que existe há 32 anos
Pela primeira vez o Brasil assume a presidência do Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e do Caribe (Filac), para o período de 2024 a 2026. Nessa quarta-feira (29/05), a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, foi eleita presidenta do Conselho Diretor do Filac, representando o governo brasileiro. A eleição ocorreu no último dia da 17ª Assembleia Geral Ordinária, na cidade de Caracas, na Venezuela.
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Com 32 anos de existência, o Filac é um órgão internacional de direito público que agrega 58,2 milhões de indígenas na América Latina e no Caribe. Foi criado em 1992 com o objetivo de apoiar os processos de autodesenvolvimento de povos, comunidades e organizações indígenas na região.
O órgão desempenha um papel crucial ao facilitar o diálogo e construir consensos entre os diversos atores do desenvolvimento indígena. É ele que define estratégias para o Plano de Ação Ibero-Americano para a Implementação dos Direitos dos Povos Indígenas, por meio do fortalecimento da sua economia como caminho para garantir um futuro com sustentabilidade e preservação do meio ambiente.
Para Sonia Guajajara, a colaboração entre representantes de governos e indígenas na diretoria do Filac vai permitir a construção de um futuro justo, sustentável e inclusivo para todos. “Vamos nos unir como diretoria do Filac por meio de um processo de diálogo, cooperação e tomada de decisões conjuntas. Essa colaboração é essencial para garantir que as políticas e ações do fundo sejam equitativas, inclusivas e alinhadas com as necessidades e aspirações dos povos indígenas da América Latina e do Caribe”, afirmou a ministra, que celebrou o fato de o Brasil assumir este protagonismo indígena internacional.
A nova presidenta adiantou que sua gestão será pautada por negociações e busca de consensos nas discussões de questões como alocação de recursos, projetos e estratégias para melhores abordagens e soluções; compartilhamento de experiências entre os países; respeito à autonomia dos povos indígenas em suas decisões e prioridades, além de promoção dos direitos indígenas, como o acesso à terra, saúde, educação e preservação cultural.
“Assumi a presidência com muito orgulho e com muito comprometimento. Entendo que é hora de fortalecer os indígenas em todos os espaços. Temos que fortalecer as bases do movimento indígena, os indígenas que estão no parlamento, nos governos e nas embaixadas, garantindo que a nossa presença não provoque olhares estranhos”, declarou Guajajara.
Além do Brasil, também foram eleitos para a nova diretoria da entidade para o biênio 2024 – 2026 representantes da Nicarágua (Myrna Cunningham, primeira vice-presidenta) e da Espanha (Laura Oroz, na segunda vice-presidência). Também foi eleito o novo Conselho de Administração da organização, formado por seis representantes de governos e seis representantes dos povos indígenas.
Assembleia Geral
Com o tema “Rumo a um novo diálogo intercultural para a vida a partir da sabedoria dos povos indígenas”, a 17ª Assembleia Geral Ordinária do Filac reuniu delegações indígenas e governamentais do Brasil, da Venezuela, do Chile, Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, Uruguai, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Espanha e Portugal.
Na última segunda-feira (27/05), primeiro dia do encontro, foram feitas consultas paralelas entre os representantes dos povos indígenas e dos governos, com estabelecimentos de acordos e recomendações relevantes para o biênio 2024-2026. Também foram apresentadas as diretrizes de planejamento do Filac até o ano de 2035. Foram reconhecidas como essenciais as contribuições dos povos indígenas para a Cúpula do Futuro, a Agenda 2030 e a revitalização e preservação das línguas indígenas.
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