Uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP) mostrou que o SARS-CoV-2, vírus causador da COVID-19, é capaz de infectar as células do fígado (hepatócitos), estimulando a produção de glicose e provocando um quadro semelhante ao de diabetes em pacientes internados. Os resultados do estudo foram publicados ontem (15/05) na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).
Os achados sugerem que a entrada do vírus nos hepatócitos é parcialmente mediada pela cooperação entre os receptores (proteínas) GRP78 e ACE2. Esse dado é uma das inovações da pesquisa, já que trabalhos anteriores sinalizavam que células do fígado não expressariam a proteína ACE2.
O alto nível de açúcar no sangue (hiperglicemia), prevalente em pacientes hospitalizados com COVID-19, ocorre independentemente do histórico de diabetes e está associado a um pior desfecho clínico, podendo levar à morte. Desde o início da pandemia, em 2020, o diabetes foi apontado como um fator de risco para pessoas com COVID-19.
Luiz Osório Silveira Leiria, professor do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e autor correspondente do artigo, explica que o grande achado foi mostrar que o SARS-CoV-2 é um causador direto da hiperglicemia.
A pesquisa recebeu apoio da FAPESP por meio de quatro projetos. Os cientistas combinaram estudo clínico retrospectivo com experimentos ex vivo e in vitro (em hepatócitos isolados de pacientes), apontando que o SARS-CoV-2 infecta as células do fígado por meio dos receptores ACE2 e GRP78.
Para indicar linhas de possíveis tratamentos, foram testados compostos que podem inibir a dupla de receptores GRP78 e ACE2 e chegou-se ao uso, por exemplo, da metformina. “Usar uma droga como a metformina tem um efeito mais interessante do que a insulina”, diz Leiria.
O artigo COVID-19-related hyperglycemia is associated with infection of hepatocytes and stimulation of gluconeogenesis pode ser lido em: www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2217119120.
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