Mulheres com doutorado têm menos oportunidades na docência, aponta estudo

Mulheres com doutorado têm menos oportunidades na docência, aponta estudo

Um estudo realizado pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (Gemaa), do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), apoiado pelo Instituto Serrapilheira, revelou que o aumento do número de mulheres com doutorado não tem sido acompanhado pelo mesmo crescimento de mulheres na docência.

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O estudo classifica essa discrepância como “efeito tesoura”, que é um mecanismo de corte da presença feminina na ciência. O termo refere-se à sub-representação de mulheres em determinadas funções, mesmo que haja um estoque de doutoras disponível. Isso significa que as mulheres formadas nessas áreas não estão chegando ao topo da carreira.

Um exemplo ocorre na área de ciências agrárias, onde a paridade de gênero já foi alcançada no último estágio da pós-graduação, com 51% de doutoras. No entanto, apenas 25% dos docentes permanentes nas universidades do país são mulheres. Em zootecnia e recursos pesqueiros, o fenômeno se repete: 52% dos doutores titulados são do sexo feminino, mas apenas 36% do corpo docente é composto por professoras.

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O estudo se baseou em dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que foram agrupados pelo Gemaa. A análise incluiu informações de docentes com vínculo permanente na pós-graduação e discentes titulados como mestres ou doutores entre os anos de 2004 e 2020, o que totalizou 3.904.422 casos durante o período. O gênero foi atribuído a 96% da base, permitindo extrair o sexo presumido do indivíduo a partir de um nome.

Segundo o coordenador do Gemaa, Luiz Augusto Campos, é fundamental entender o “efeito-tesoura” na ciência para localizar em que etapas da carreira acadêmica as desigualdades de gênero se instalam. Ele enfatiza que o desenho e a implementação de políticas públicas para garantir a igualdade de gênero na ciência precisam de dados robustos que revelem as discrepâncias entre as diversas áreas do conhecimento e sinalizem os pontos críticos a serem tratados.

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Além disso, o estudo também apontou que a área de ciência da computação tem uma das menores proporções de mulheres tanto no corpo docente quanto entre os doutores. Isso indica que as políticas para a diversificação dessa área devem investir tanto na contratação de professoras mulheres quanto na formação de mais doutoras.

O estudo mostrou que áreas como arquitetura e urbanismo, história e artes alcançaram a paridade de gênero tanto na docência quanto no nível de doutorado, sem “efeito tesoura”. Porém, o pesquisador Luiz Augusto Campos ressalta que isso não significa que essas áreas tenham um cenário de equidade, e sim que as áreas com sub-representatividade feminina similar na docência e no doutorado são as que mais precisam de atenção.

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